POLÍCIA
Terça-feira, 26 de Julho de 2016, 20h:31
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Hackers, jovens e deep web são armas do EI
Absolutamente organizados e sem endereço conhecido -- vários dos componentes do grupo Estado Islâmico são hackers habilidosos em esconder os próprios rastros digitais das páginas e comunidades --, exercem fascínio em pessoas suscetíveis ao desajuste, como costumam ser adolescentes do sexo masculino. Mas hoje em dia, com a evolução das ferramentas de comunicação, nem é mais tão necessário ter habilidade avançada em linguagens de informática. Tudo porque os extremistas tem meios ainda menos rastreáveis -- em tese, dá para recuperar mensagens arquivadas apreendendo celulares, por exemplo -- e outras ferramentas de comunicação online, como a deep web. E essa é ainda pior, pois foge do conceito básico de identificação por IP. Por conceito e princípio, não é possível saber quem está lá. Não há como nenhum usuário ser identificado. É um lugar farto para todo tipo de miséria humana, onde se coloca até mesmo anúncios como precisa-se de homem-bomba. Não há nem mesmo acesso ou busca via Google. E hoje, 70% do conteúdo de internet está na deep web. Logo, há um mar infinito de coisas lamentáveis, desde pornografia infantil até tráfico de drogas e armas e recrutamento de grupos extremistas, continua o professor universitário e consultor de experiência do usuário online, Ricardo Couto. E ele está certo, nos sites de estudo e monitoramento estatístico de utilização da internet (acessíveis pelo Google, inclusive, e por isso mesmo incontáveis) quanto à idade média dos usuários de Snapchat, por exemplo, há estudos mostrando que em países como os Estados Unidos a farta maioria dos usuários se situa entre os mais jovens, entre os 15 e os 18 anos. Eles tendem a utilizar muito mais ferramentas como Snapchat, segue Couto, por causa desse anonimato e da liberdade de compartilhar o que quiser sem deixar rastros, desde fotos íntimas até um manual de como fazer bombas ou um plano de atentado terrorista. Mesmo no WhatsApp e Telegram, tudo é criptografado e impossível de ter seu código quebrado, porque são algoritmos complexos, de, às vezes, vinte linhas com cerca de quatro mil caracteres, esclarece o especialista da Semantic. O objetivo, claro, é sair do monitoramento dos pais e demais familiares, que geralmente também usam as mídias sociais populares e, portanto, veem a maior parte do que é postado e compartilhado, como Facebook ou Twitter. Em breve resumo, vai ficar cada vez mais difícil para as autoridades conterem atentados terroristas ao redor do mundo exatamente porque não é necessário, nunca foi, aliás, travar contato com nenhum terrorista para fazer parte do EI, como já não era para fazer parte nem mesmo da Al-Qaeda. O juramento está lá, online, disponível a quem quiser repeti-lo. Feito isso, o autor do atentado só deve reportar o que e quando irá fazer. Logo após o ato concretizado, o EI vai reivindicar e divulgar a autoria. (RR)