POLÍCIA
Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010, 02h:47
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DESAVENÇA
Filho mata pai para defender a mãe
ADILSON ROSA
Da Reportagem
Terminou em tragédia uma briga familiar no bairro Nova Fronteira, em Várzea Grande. O pedreiro Roberto Carlos da Silva, de 50 anos, foi assassinado com dois tiros pelo próprio filho, um adolescente de 16 anos. O crime ocorreu anteontem, por volta das 18 horas. Em seguida, o garoto foi preso e, com ele, policiais da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) apreenderam o revólver calibre 38 usado no crime. O menor alegou que não aguentava mais ver a mãe ser agredida pelo próprio pai. Segundo o delegado Antônio Carlos Garcia, de plantão na DHPP, o irmão do adolescente, um rapaz de 18 anos, chegou a ser detido, mas foi liberado por falta de provas. Ele (o adolescente) assumiu o crime. Além disso, não tínhamos indícios da participação do irmão no assassinato, explicou. Ao delegado, o adolescente alegou que estava cansando de ver a mãe ser agredida pelo pai. O casal chegou a preparar a separação, mas a mulher alegou que o marido não tem família na região e não teria onde ficar. Ao mesmo tempo em que a esposa reclamava, ela não queria separar porque o marido não teria recurso (financeiro) para sobreviver, frisou. Anteontem à noite, Roberto Carlos teria agredido a esposa na frente dos filhos. Irritado, o pedreiro conseguiu que todos saíssem da casa e ficassem na casa do vizinho. Revoltado, o adolescente teria dito ao irmão que iria matar o pai. O irmão e a mãe não acreditaram, uma vez que as brigas eram constantes. Conforme o relato de testemunhas, o adolescente pulou o muro dos fundos e entrou pela cozinha. Em seguida, foi até um armário e pegou o revólver que o pai guardava. Ele pegou a munição que estava numa cartela e se escondeu no banheiro. Após municiar o revólver, foi em direção ao pai que estava na sala. O garoto alegou que o pai começou a xingá-lo. Reagiu e atirou no pedreiro. Mesmo ferido, Roberto Carlos foi em sua direção. Não tive alternativa. Atirei mais uma vez e ainda mais três, mas não o acertaram, relatou o adolescente. Após os disparos, a mãe e o irmão entraram na casa e se depararam com o pai morto. O garoto, então pediu ajuda a outro vizinho, que o levou até o Jardim dos Estados. O crime ocorreu cerca de uma hora, uma hora e meia antes de a polícia ser acionada. E quem nos avisou foi o próprio vizinho que procurou a polícia. Ele contou sobre o crime e levou até onde estava o adolescente, disse o delegado. Após preencher um termo de ato infracional (equivalente ao flagrante), o delegado encaminhou o garoto para a Delegacia Especializada do Adolescente (DEA).