POLÍCIA
Quinta-feira, 19 de Agosto de 2010, 19h:31
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INVESTIGAÇÃO
Filha denúncia pai por 3 anos de abusos
Garota, que diz ser obrigada a manter relações sexuais com o pai desde os 13 anos, foi encorajada pela sogra a denunciá-lo, o que foi feito
ADILSON ROSA
Da Reportagem
A Delegacia de Defesa da Criança e do Adolescente (Deddica) de Cuiabá investiga uma denúncia de que uma adolescente de 16 anos estava sendo estuprada pelo próprio pai desde os 13. O caso chegou anteontem à noite à Central de Flagrantes e de Ocorrências, depois que a mãe do namorado da garota a encorajou a procurar a polícia. A garota confirmou aos policiais plantonistas o abuso praticado pelo pai na própria casa, no bairro Santa Isabel, em Cuiabá. Segundo a adolescente, o pai a ameaçava caso ela contasse a alguém o abuso sexual. Desde que começou a estuprá-la, exigia uma relação sexual por semana. Caso contrário, o pai tirava o cinto e ameaçava surrá-la. Então ele (o pai) me arrastava para o quarto dele, completou. Há alguns meses, ela arrumou um namorado e o pai não gostou da ideia, reprovando-a na hora. Então, exigiu que transasse com ele antes de se encontrar com o namorado. Para não sofrer agressões físicas, a adolescente se submetia aos caprichos sexuais do pai. A adolescente acrescentou que tentou falar com a irmã mais velha, mas o pai estava sempre por perto e isso a intimidava. Ela morou com o pai em outros estados e, recentemente, se mudaram para Cuiabá. A adolescente disse que o pai se separou da madrasta, e pai e filha voltaram a viver juntos. Anteontem, ela estava triste e o namorado queria saber o que acontecia, quando ela revelou o segredo, mas temia que o pai a surrasse novamente. Disse ao namorado que o pai chegava a rasgar o vestido dela caso se recusasse a manter relação sexual com ele. De imediato, a mãe do rapaz também ficou sabendo e a levou até a polícia. O delegado Laudeval Freitas, de plantão, informou que, ser for confirmada a violência sexual, trata-se de estupro de vulnerável. Ele solicitou exame de violência sexual. Antes (da nova lei de repressão a crimes sexuais), pedia-se exame de conjunção carnal, mas agora, os exames são mais amplos, explicou. Cauteloso em relação à denúncia, Laudeval adiantou que a adolescente terá acompanhamento psicológico para saber se de fato ocorreu o que ela narrou. É preciso que se extraia a realidade porque a pena (para estupro de vulnerável) é alta, frisou. Ele lembrou que é preciso um depoimento detalhado e, a partir daí, tomar as providências cabíveis. Policiais plantonistas da Deddica informaram que a delegada Mara Rúbia de Carvalho irá instaurar inquérito e, como toda investigação realizada por aquela delegacia, correrá em segredo de justiça. A nova lei exige isso para dar mais tranquilidade às vítimas, explicou um policial.