POLÍCIA
Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010, 19h:54
A
A
CASO ANA II
Em ato silencioso, família pede justiça
Amigos e parentes de Ana Cristina se reuniram ontem de manhã na casa da jovem para prestar solidariedade aos pais. Alerta sobre violência contra mulher
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Amigos e parentes da corretora estagiária de imóveis, Ana Cristina Wommer, 24 anos, estiveram ontem na casa dos pais da vítima, localizada no bairro Tijucal, em Cuiabá, levando apoio e solidariedade. Num ato quase que silencioso e marcado pela consternação, eles lastimavam a perda da pessoa querida, mas também a violência contra as mulheres. Se a Ana se foi é mais um alerta para as pessoas acordarem, chega de tanta violência, de tanta covardia, implorou Claudia Colla, tia da jovem. A dor da perda é muito grande. É preciso dar um basta para evitar que outras pessoas passem pelo o que estamos sentindo, acrescentou. Ao lado um do outro, a mãe da vítima, Juraci Colla, e o pai, Luiz Alberto Wommer, sintetizaram em poucas palavras o que estavam sentindo: Estamos sofrendo muito! Era a única filha que tínhamos, disse o senhor. Era uma menina boa e não saía de casa sem dar notícias, emendou, emocionada, Juraci Colla. Ambos usavam camisetas com a foto da jovem com os seguintes dizeres Ana Cristina Wommer, descanse filha que querida. Tia e madrinha de Ana Cristina, Leoni Colla disse que a acompanhava a vida da sobrinha desde pequena. Reticente ao falar sobre a vida particular da jovem, ela procurou mostrar que a vítima tinha um bom comportamento. Ela estava sempre em casa, nunca dormiu fora de casa, trabalhava e fazia entregas para a mãe. Não se pode denegrir a imagem de uma pessoa, disse. Ela era uma boa menina e trabalhadora. Isso não se discute, completou. Segundo Leoni Colla, Ana Cristina, quando saía de casa, ligava de duas em duas horas para a família. Não fica(va) sem dar notícias, contou. Isso fez com que a família começasse a se preocupar com a ausência da garota poucas horas depois que ela saiu de casa, no início da manhã do último domingo. Nunca deixava o celular desligado, emendou. Amigas desde a época de estudos da jovem, Diana Cristina Soares e Rejane Leite também estavam inconformadas. A gente não consegue entender. A gente só está por justiça, disseram. Grávida de oito meses, Ana Cristina entrou em trabalho de parto no momento do crime, pois a criança, que era uma menina, foi encontrada presa às roupas da vítima. Ela deixou um filho de quatro anos. Além de justiça, os familiares também esperavam saber como Ana Cristina foi morta. Só queremos saber como e por que, afirmou. O corpo da vítima foi encontrado anteontem de manhã, numa rua sem asfalto próxima do Hospital Neuropsiquiátrico, em Cuiabá, na saída para Rondonópolis. O principal suspeito é o soldado da Rotam Claudemir de Souza Sales, que mantinha um relacionamento extraconjugal com Ana e poderia ser o pai da criança. Ele está preso na sede da Rotam.