POLÍCIA
Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009, 08h:15
A
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EXTERMÍNIO
Dois corpos carbonizados em dois dias
Polícia investiga modalidade de assassinatos usada para não deixar vestígio, após 2 fatos semelhantes ocorrerem em pouco tempo, na região
ADILSON ROSA
Da Reportagem
A polícia está diante de uma modalidade de assassinatos em que as vítimas são queimadas em meio a pneus de carros para não deixar vestígios. A forma é tão cruel que policiais que investigam os casos não descartam a hipótese de as vítimas terem sido queimadas vivas. Neste fim de semana, duas pessoas foram encontradas em locais diferentes da Grande Cuiabá, mas executadas de forma idêntica. Ontem à tarde, policiais da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) localizaram o segundo cadáver carbonizado. A pessoa foi executada numa região de difícil acesso, na localidade da Guia, em Cuiabá. Como a carbonização foi total, somente exame antropológico poderá identificar sexo, idade e altura. Em seguida, poderá ser feito exame de arcada dentária ou DNA. O primeiro caso ocorreu na localidade de Engordador, em Várzea Grande, onde o corpo foi achado no domingo de manhã. Os policiais não têm dúvidas de que se trata do mesmo modo de execução. A crueldade nos dois casos surpreendeu a polícia. Trata-se de mortes semelhantes e a diferença está no local. Um bem distante do outro, informou o delegado Antônio Carlos Garcia, de plantão na DHPP. Ele esteve ontem à tarde na região da Guia iniciando as investigações. O que chamou a atenção do delegado foi o fato de os criminosos terem colocado pneus para ajudar a carbonizar de forma mais rápida os corpos. É um tipo de produto que vai dificultar até no exame de DNA, observou. A carbonização do segundo corpo ocorreu no sábado à tarde. Chacareiros disseram aos policiais que viram labaredas e fumaças naquele trecho, mas acreditavam se tratar de uma queimada, muito comum nesta época do ano. E o mesmo teria ocorrido no corpo localizado no domingo, em Várzea Grande. Situações semelhantes em vários aspectos, explicou o delegado Garcia. A polícia não descarta a hipótese de uma das vítimas ser um profissional liberal vindo de Brasília e que estaria desaparecido há cerca de uma semana. Um amigo dele procurou o Instituto de Medicina Legal para obter informações na tentativa de fazer a identificação. Ele foi orientado a procurar a seção de desaparecidos da DHPP para registrar um boletim de ocorrência. Até agora, essa pessoa está desaparecida. Não podemos afirmar que seja essa pessoa (carbonizada encontrada no domingo). Ela poderá, no entanto, fazer exame da arcada dentária, explicou um técnico em necropsia. Pela semelhança entre os dois casos, o delegado Márcio Pieroni, titular da DHPP, deverá determinar que apenas um delegado investigue as duas execuções. O inquérito do corpo localizado no domingo está sendo conduzido pelo delegado Fausto Freitas.