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Cuiabá MT, Domingo, 14 de Junho de 2026

POLÍCIA
Quinta-feira, 11 de Março de 2010, 21h:31

TORTURA DA PM

Corregedoria abre inquérito militar

Investigações sobre conduta de policiais que prenderam homem acusado de matar cabo levarão 40 dias, para se averiguar se queimaram criminoso

ADILSON ROSA
Da Reportagem
As investigações da denúncia de tortura sofrida pelo detento Cassemiro Moraes dos Santos, de 22 anos, devem estar concluídas em 40 dias. Ontem foi instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o caso. A informação é do secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Diógenes Curado Filho, dada durante entrevista coletiva ontem de manhã, em seu gabinete. Ele fez questão de destacar que repudia o ato. Ao menos 20 policiais deverão ser investigados. Cassemiro, preso pelo assassinato do cabo PM Edson de Oliveira, de 43, ocorrido na terça-feira à noite, relatou que foi torturado por policiais militares antes de ser levado para a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Disse que numa sala reservada aos militares na Delegacia do Verdão, teve o corpo embebido por álcool e, em seguida levou alguns choques de uma máquina elétrica. As faíscas, em contato com o álcool, provocaram fogo e o rapaz teve o tórax e parte do ombro queimados. Curado classificou a atitude dos policiais como “desastrosa”, pois o fato da tortura ganhou mais destaque do que a morte de um policial militar. “O IPM foi instaurado para apurar as denúncias. Somente depois do laudo de corpo de delito é que poderemos saber se as lesões ocorreram antes ou depois da prisão”, frisou. No entendimento do secretário, a preocupação maior nesse momento é em relação ao assassinato do policial, que possuía família e fazia trabalho na fronteira. Segundo o comandante do Comando Regional I, coronel Joelson Sampaio, Oliveira estava há 23 anos na corporação e morava na Capital. “Ele se deslocava para a fronteira durante o período de serviço”. Curado informou que Cassemiro possui duas passagens pela polícia. Em 2006, esteve preso por roubo e, em 2008, por tentativa de roubo, mas não estava com a prisão preventiva decretada. “Se deveria estar preso ou não, é uma problema da Justiça”. Coronel Sampaio destacou que a prisão foi em tempo recorde, uma vez que tanto autor como a arma do crime foram localizados em minutos. Cassemiro foi preso numa quitinete, nas proximidades da Igreja de São Benedito. “Os policiais fizeram o trajeto do criminoso e não demorou muito, estava preso”. As informações da Polícia Militar dão conta de que o cabo PM estava comendo um sanduíche numa lanchonete. Em dado momento, o militar suspeitou de três rapazes que caminhavam pela rua e foi abordá-los. No momento em que abordava um deles, Cassemiro sacou um revólver e atirou. Baleado nas costas, a vítima foi levada ao Pronto-Socorro de Cuiabá (PSC), onde morreu durante o trajeto.

Edição EDIÇÃO 16962




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