A Polícia Civil não descarta a hipótese dos dois aviões Cessna roubados anteontem de madrugada em Santo Antônio de Leverger (cidade localizada a 27 quilômetros de Cuiabá) já estarem a serviço do narcotráfico, tanto na Bolívia como na Colômbia. A observação é do delegado regional de Várzea Grande, Antônio Carlos Garcia, que supervisiona as investigações. Segundo ele, os aviões podem também ter sido vendidos a pessoas comuns, assim como é feito com picapes roubadas no Brasil. Claro que esses aviões podem ser vendidos para traficantes, assegurou. Acontece que estão roubando aviões no Brasil da mesma forma que roubam picapes. E é um tipo de roubo planejado. Ninguém chega assim para roubar como se faz com uma Hilux, completou. O delegado Sidnei Caetano de Paiva, responsável pelas investigações, deverá ouvir o vigia Piergentino Basílio dos Santos, rendido e espancado pelos oito homens fortemente armados que invadiram o aeródromo e roubaram duas aeronaves - Cessna - prefixo PT WEI 210 e Skyline 180 - vermelho e branco, que estavam no hangar da EMA, uma empresa de manutenção. Conforme o vigia, apenas um dos oito ladrões estava encapuzado. Os bandidos - que aparentavam ter entre 20 e 40 anos - tinham sotaque carioca e castelhano. Segundo o proprietário do avião, o pecuarista Garon Moraes, de 46 anos, os assaltantes ainda tiveram tempo de colocar combustível nas duas aeronaves. O pecuarista estimou um prejuízo inferior a R$ 1 milhão com o roubo dos aviões. Um deles estava sendo reformado desde julho e o vôo inaugural estava marcado para ontem. Conforme o fazendeiro, os bandidos retiraram combustível das outras aeronaves e empurraram os dois Cessnas para a pista, de onde levantaram vôo. Ele acrescentou que os aviões não têm instrumento para vôo noturno. Mesmo assim, os traficantes arriscaram através de uma manobra incomum. A pista não tem sinalização para vôos noturnos. Os criminosos, provavelmente esperaram um momento com mais condições de levantar vôo, completou o delegado Garcia. Para um vôo assim, é necessário um piloto experiente.