A Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá informou que o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, apontado como o executor do homicídio do advogado Renato Nery, foi novamente interrogado e confessou o crime.
Nesta quinta-feira (15), ele prestou maiores esclarecimentos que confirmam os outros indícios de autoria já produzidos pela Polícia Civil até o momento.
Leia também:
Polícia indicia caseiro e PM por execução do advogado Nery
Apesar de os fatos já terem sido apurados e confirmados durante as investigações da Polícia Civil, esta é a primeira vez que Alex admitiu oficialmente sua participação no crime.
Segundo Alex Silva, a arma usada no crime - uma pistola Glock 9 mm - foi alugada por R$ 1.500 de uma pessoa que, conforme observou, está morta.
A confissão de Alex ocorreu aproximadamente uma semana após a prisão dos mandantes do crime, os empresários Julinere Goulart Basto e César Sechi.
O assassinato do ex-presidente da OAB-MT foi encomendado em razão de uma disputa por terras.
Alex era o caseiro da chácara do policial militar Heron Teixeira Pena Vieira, que foi apontado como um dos intermediadores do crime.
O PM foi o responsável por repassar a arma do crime ao atirador.
No início da semana, Alex e Heron foram indiciados pelo crime de homicídio qualificado pela promessa de recompensa e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
Enquanto o caseiro e o PM colaboraram em depoimentos, o casal suspeito de mandar matar ficou em silêncio.
Inicialmente, Julinere chegou a dizer que ia colaborar com a investigação, mas recuou, alegando problemas psicológicos.
PRISÕES - Até o momento, a DHPP prendeu 10 pessoas envolvidas no caso.
Quem são e como agiram os investigados:
Caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva – atirador
Sargento da PM Heron Teixeira Pena Vieira – intermediador recebeu dinheiro, arma e contratou o Alex pra fazer executar
Cabo da PM Jackson Pereira Barbosa – intermediador entregou dinheiro a Heron Policial da integiência da Rotam,
Ícaro Nathan Ferreira – intermediador que entregou parte do dinheiro ao Heron e entregou a arma
Empresário Cesar Jorge Sechi – mandou matar Nery por causa da disputa de terra
Empresária Julinere Goulart Bastos – mandou matar Nery por causa da disputa de terra. Ela é esposa de Cesar
Além dos envolvidos diretamente na morte, a polícia prendeu outros quatro policiais, apontados como suspeitos de simular um confronto policial para esconder a arma do crime.
São eles:
Alessandro Medeiros Ramos – policial militar
Wekcerlley Benevides de Oliveira – policial militar
Leandro Cardoso – policial militar Jorge Rodrigo Martins – policial militar
QUEBRA DE SIGILO - A Justiça acolheu pedido da Polícia Civil e determinou a quebra de sigilo bancário e fiscal de todos os investigados por envolvimento no homicídio do advogado Renato Nery.
A decisão é de quarta-feira (14), do Nipo (Núcleo de Inquéritos Policiais).
A medida vai afetar tanto os suspeitos que já estão presos quanto outros investigados e até novos alvos.
Até o momento, a DHPP prendeu e indiciou o policial militar ex-Rotam Heron Teixeira Pena Vieira, que confessou o crime, e o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, suspeito de ser o autor dos disparos.
Também foram detidos na última sexta-feira (9), por suspeita de serem os mandantes do crime, o casal de empresários de Primavera do Leste, Julinere Goulart Bentos e César Jorge Sechi. César manteve silêncio na oitiva e Julinere ainda não prestou depoimento.
Já tinham sido presos em 17 de abril o suposto intermediador do homicídio, o PM Jackson Pereira Barbosa, em Primavera do Leste, e o PM da inteligência da Rotam, Ícaro Nathan Santos Ferreira, que é suspeito de ter dado a arma do crime.
PAGAMENTO - Na semana passada, Heron Vieira confessou na DHPP que recebeu R$ 150 mil pelo crime.
O acordo inicial, segundo ele, era de R$ 200 mil.
Na confissão, Heron ainda afirmou que os mandantes teriam sido o casal de empresários, além de apontar que contratou o caseiro Alex Roberto para executar Nery.
Conforme revelado na investigação, o valor combinado não teria sido pago na totalidade, o que gerou uma série de extorsões contra o casal, mas sem sucesso, pelo silêncio dos envolvidos.
Heron ainda informou que os R$ 150 mil foram dividos somente entre ele e o caseiro.
O policial também confirmou a participação, como intermediador do homicídio, do PM Jackson Barbosa, que é vizinho de condomínio de Julinere e César.
A ARMA - No dia 30 de abril, os PMs da Rotam Leandro Cardoso, Wailson Ramos, Wekcerlley de Oliveira e Jorge Martins, que estavam presos desde 6 de março, foram indiciados por forjar um confronto para plantar a arma do homicídio de Nery com terceiros.
Conforme a Polícia Civil, eles foram acusados de homicídio qualificado, duas tentativas de homicídio, fraude processual e porte ilegal de arma de fogo.
Segundo a investigação, o crime ocorreu no dia 12 de julho, sete dias após o assassinato do advogado, no Contorno Leste, em Cuiabá, que resultou na morte de um homem e feriu outros dois.
O CRIME - Ex-presidente da OAB-MT, Renato Nery foi atingido por um disparo na cabeça no dia 5 de julho de 2024, quando chegava em seu escritório na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá.
Socorrido com vida, ele foi levado às pressas para o Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá, onde passou por cirurgias, mas não resistiu e morreu no dia seguinte.




