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POLÍCIA
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009, 23h:51

PERSEGUIÇÃO

Advogado alega temor de ser sequestrado

José Luiz de Carvalho Júnior, atingido por disparos de PMS no sábado, disse que não parou veículo porque carro oficial não estava identificado

ADILSON ROSA
Da Reportagem
O advogado José Luiz de Carvalho Júnior, de 27 anos, filho do desembargador José Luiz de Carvalho, disse a amigos que fugiu de policiais militares temendo ser sequestrado, uma vez que a viatura da PM estava descaracterizada (não tinha a logomarca) e não tinha o intermitente (luzes que ficam piscando). Como não sabia quem estava na picape Blazer SW, ele acreditava estar sendo seguido por assaltantes. A perseguição, que começou no bairro Lixeira, terminou em frente a casa do advogado, na rua Bogotá, Jardim das Américas. Como o advogado não parou, policiais militares atiraram sete vezes no carro, um Kia Sportage, e atingiram também José Luiz. Baleado nas costas e no braço, ele foi levado ao Pronto-Socorro de Cuiabá (PSC) e, depois, transferido para o Hospital Santa Rosa. Ontem de manhã, amigos do advogado informaram que ele seria submetido a uma cirurgia para não perder os movimentos do braço. “Ele está se recuperando bem”, disse um amigo. Ele foi perseguido pela polícia desde a região do bairro Areão até sua casa, onde foi baleado dentro de sua picape. A ação, que terminou em tentativa de homicídio, ocorreu por volta das 5h30. Conforme os policiais, o motivo da perseguição foi o fato de a vítima não ter parado o veículo durante uma abordagem. Conforme os policiais, eles atiraram no pneu traseiro da picape para que o motorista parasse. O tiro estourou a roda. Um dos disparos atingiu o pára-brisa traseiro, atravessou todo o carro e foi parar no pára-brisa dianteiro. As armas dos dois militares apontados como responsáveis pelos disparos – cabo PM Filho e soldado Carvalho – foram apreendidas e deverão ser submetidas ao exame de balística. Elas deverão ser entregues na Delegacia do Complexo do Planalto nos próximos dias. Com isso, será possível saber de quais armas foram feitos os disparos. O delegado Márcio Alegria, titular da Delegacia do Planalto, transferiu o caso para um dos delegados que irá instaurar inquérito por tentativa de homicídio. José Luiz de Carvalho trabalha há dois anos como advogado e divide seu escritório, no bairro Santa Rosa, com a madrasta, a também advogada Nadir Blemer. O Comando Geral da Polícia Militar informou que os dois militares foram afastados de suas funções e deverão exercer funções administrativas. O major Gilberto Vitório, subcomandante do 1º Batalhão da Polícia Militar, é o responsável pela instauração do inquérito designado pela Corregedoria Geral da PM. Paralelamente ao procedimento militar, o caso será apurado pela Polícia Civil. Nos próximos 40 dias, prazo das investigações, a PM vai discutir e tentar esclarecer os fatos, segundo o comandante do Comando Regional 1, coronel Joelso Sampaio, sob o qual os policiais envolvidos estão subordinados. Sampaio afirmou que os dois policiais vão ficar afastados das atividades operacionais até a conclusão do IPM.

Edição EDIÇÃO 16967




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