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Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

MUNDO
Sexta-feira, 24 de Julho de 2009, 20h:01

HONDURAS

Zelaya volta à Nicarágua após uma visita relâmpago

O presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya voltou ontem à Nicarágua após permanecer alguns minutos no território hondurenho, no ponto fronteiriço de Las Manos. O líder destituído deu alguns passos simbólicos na cidade de El Paraíso, no lado hondurenho da fronteira, mas, diante de soldados e policiais, ele disse que não queria ir adiante em "respeito aos princípios" dos militares, que ameaçavam prendê-lo caso retornasse ao país. "O coronel me disse que eu não poderia voltar. Eu disse que posso", disse Zelaya, assim que chegou em Honduras. Os soldados, no entanto, fizeram uma barreira com escudos e não deixaram que o presidente deposto e seus partidários avançarem fronteira adentro. O líder deposto entrou em Honduras cercado de dezenas de seguidores e depois estabeleceu comunicação com um alto oficial das Forças Armadas do país, com quem disse que manterá diálogo. O retorno foi acompanhado pela equipe de cinegrafistas do canal estatal venezuelano Telesur. "Queremos garantir a paz, não quero que tenham que atirar, porque me machucam ou me assassinam. Estou disposto a me colocar em frente aos militares, mas também faço uso da razão, objetividade, venho desarmado, sem colete nem salva-vidas", disse Zelaya aos jornalistas quando retornava à Nicarágua. Na terça-feira, ele viajará a Washington, confirmou no começo da noite de ontem, o Departamento de Estado do governo americano, após criticar a nova tentativa de volta a Honduras. Preparando-se para o retorno de Zelaya, o governo de facto de Honduras havia deslocado na manhã esta sexta-feira centenas de soldados para vários postos fronteiriços, e decretou um toque de recolher nas fronteiras com a Nicarágua e El Salvador. Ocorreram tumultos no ponto fronteiriço de El Paraíso entre manifestantes pró-Zelaya e tropas hondurenhas. O Exército confirmou que um manifestante ficou ferido. O governo interino afirma que o líder deposto será detido quando retornar ao país, em cumprimento a uma ordem da Suprema Corte, que já havia ordenado a prisão de Zelaya antes de sua deposição, em 28 de junho, acusando o então mandatário no cargo de querer aprovar um referendo que, se vitorioso, permitiria a reeleição de políticos aos cargos públicos.

Edição EDIÇÃO 16964




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