NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

MUNDO
Quinta-feira, 16 de Janeiro de 2014, 20h:48

MENORES

Vaticano lamenta casos de abusos sexuais

A ONU dedicou a sessão de ontem à avaliação do cumprimento, pelo Vaticano, dos compromissos assumidos com a ratificação da Convenção dos Direitos da Criança

O Vaticano disse ontem que não há desculpa possível para casos de exploração e violência contra crianças, mas destacou que os agressores estão presentes \"em todas as profissões, incluindo membros do clero e o pessoal da Igreja\". \"Há responsáveis por abusos entre os membros das profissões mais respeitadas do mundo e, mais lamentavelmente, entre membros do clero e outros funcionários da Igreja\", disse Silvano Tomasi, representante do Vaticano na Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra. Tomasi fez a apresentação do Vaticano perante a Comissão da ONU para os Direitos da Criança, na primeira participação da Igreja Católica em um órgão que vai escrutinar os abusos sexuais de menores cometidos por sacerdotes em todo o mundo. O chefe da delegação do Vaticano reconheceu que a questão dos abusos contra crianças é particularmente grave quando o agressor goza de grande confiança e seu papel deveria ser o de proteger a pessoa, incluindo a saúde física, emocional e espiritual. \"Essa relação de confiança é crítica e requer um grande sentido de responsabilidade e respeito em relação à pessoa que se serve\", disse Tomasi. \"A resposta ao fenômeno dos abusos sexuais de menores foi articulada em vários níveis\", explicou ele, ressaltando que o Vaticano ratificou a Convenção dos Direitos da Criança em 1990 e os respectivos protocolos em 2000. Tomasi acrescentou que o Vaticano formulou \"diretivas\" para facilitar o trabalho das igrejas locais, que desenvolveram também recomendações para evitar abusos. Ele citou a Carta para a Proteção das Crianças e Jovens, adotada pela Igreja católica norte-americana em 2005. ONU A comissão da ONU dedicou a sessão de ontem à avaliação do cumprimento, pelo Vaticano, dos compromissos assumidos com a ratificação da Convenção dos Direitos da Criança. Diante dos escândalos de abusos sexuais que vêm sendo noticiados nos últimos anos, a Igreja chegou a ser acusada de tentar esconder e desvalorizar o envolvimento de sacerdotes nesses crimes em vários países. Tomasi destacou, no entanto, que o Vaticano \"delineou políticas e procedimentos para ajudar a eliminar tais abusos e colaborar com as respectivas autoridades estatais para lutar contra esse delito\". Perante os casos verificados de abusos sexuais de menores sob custódia ou influência de padres, a posição das autoridades eclesiásticas foi a de que o religioso deve ser submetido às leis do país onde ocorreu o crime. Tomasi garantiu que o Vaticano \"está empenhado em escutar cuidadosamente as vítimas de abusos sexuais e em abordar o impacto dessas situações nos sobreviventes e em suas famílias\". Depois da apresentação de Tomasi, vários peritos da comissão questionaram a delegação do Vaticano sobre a forma como foram adotados os mecanismos para investigar e punir eficazmente os culpados de abusos dentro da Igreja e sobre os programas de segurança desenvolvidos e aplicados. A comissão pediu esclarecimentos sobre como garantir \"os interesses superiores da criança\" acima de quaisquer outras considerações, e sobre as medidas de \"reparação física e psicológica\" das vítimas. A sessão de Genebra ocorre quando a pedofilia na Igreja continua no noticiário: a direção do movimento conservador dos Legionários de Cristo, desacreditado pelo escândalo pedófilo no qual está implicado o fundador, o padre mexicano Marcial Maciel, encontra-se reunida para decidir sobre as reformas a adotar. Em dezembro, o Vaticano se recusou a responder a um questionário da comissão da ONU, enviado em julho, sobre os dossiês de pedofilia que estão sendo examinados pela Congregação para a Doutrina da Fé. PAPA O papa Francisco disse ontem que é preciso envergonhar-se com os vários escândalos que abalaram a Igreja Católica. Ele falou durante a homilia na tradicional missa matutina que celebra na Casa de Santa Marta, no Vaticano, onde reside. \"Mas, tivemos vergonha? Tantos escândalos que não quero mencionar individualmente, mas que todos sabemos quais são. Escândalos [pelos quais] alguns tiveram de pagar caro. E isso está bem! Deve ser assim... a vergonha da Igreja\", acrescentou, de acordo com a Rádio Vaticano. \"Mas, temos vergonha desses escândalos, dessas derrotas de sacerdotes, bispos e laicos?\", insistiu. O papa considerou que os responsáveis envolvidos nos escândalos \"não tinham uma relação com Deus. Tinham uma posição na Igreja, uma posição de poder e também de comodidade, mas não a palavra de Deus\". Ontem, o papa também denunciou, durante a homilia na Casa de Santa Marta, a \"figura do cristão corrupto\", ao falar de laicos, sacerdotes e bispos que se aproveitam da situação e dos privilégios.

Edição EDIÇÃO 16963




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL