MUNDO
Segunda-feira, 20 de Junho de 2011, 21h:03
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RESPOSTA
UE deve ampliar sanções contra a Síria
De acordo com informações divulgadas ontem por diplomatas da União Européia, uma decisão sobre a expansão das sanções à Síria deve ocorrer ainda essa semana
A União Europeia (UE) anunciou ontem que pretende intensificar as sanções contra a Síria, em resposta ao agravamento da violenta repressão contra opositores do regime do ditador Bashar al Assad. "A UE está se preparando para expandir suas medidas restritivas, com a intenção de alcançar uma mudança na política da liderança síria o quanto antes", diz o comunicado assinado pelos ministros de Relações Exteriores do bloco. De acordo com diplomatas da UE, uma decisão sobre a expansão das sanções deve ocorrer ainda essa semana. Mais cedo, Al Assad rejeitou a realização de reformas em meio ao "caos" no país, embora tenha se dito aberto ao "diálogo". No entanto, novas manifestações foram registradas logo depois de seu discurso após três meses de protestos que desafiam uma brutal repressão. "Pode-se dizer que o diálogo nacional é o lema da próxima etapa", disse Assad em um discurso na Universidade de Damasco, transmitido pela televisão estatal, após três meses de distúrbios. O ditador admitiu inclusive que esse "diálogo" pode levar à supressão do artigo 8 da Constituição que assegura a supremacia política do Partido Baath, detentor do poder na Síria desde 1963. "O diálogo nacional pode gerar emendas à Constituição ou uma nova Constituição", destacou. A revogação do artigo 8 é uma das principais reivindicações da oposição, que, no entanto, não deu sinais de abrandamento após esse novo pronunciamento público, o terceiro de Assad desde o início das passeatas da oposição em março. Novos protestos eclodiram logo depois do discurso na cidade universitária de Alep (norte), nas localidades de Saraqeb e Kafar Nubl (noroeste) e em Homs (centro), indicou Rami Abdel Rahman, presidente do Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede em Londres. Outros defensores dos Direitos Humanos indicaram manifestações em Hama (norte) e Latakia (noroeste). Grupos opositores pediram à população que se junte à revolta popular. "Consideramos inútil qualquer diálogo que não consiga virar a página do regime atual", reiteraram os Comitês Locais de Coordenação, uma ONG síria que organiza as manifestações após o discurso de Assad. Já o ditador afirmou que "há certamente uma conspiração" contra a Síria. "As conspirações são como micróbios que não podemos eliminar, mas devemos reforçar a nossa imunidade". Assad disse que nenhuma reforma poderá ser efetuada em um contexto de "sabotagem e caos", advertindo que a economia síria está à beira do colapso. "É preciso trabalhar para devolver confiança à economia síria porque existe um risco de desabamento", declarou.