MUNDO
Sábado, 03 de Maio de 2008, 15h:02
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SANTA CRUZ
Tensão marca referendo sobre autonomia
Crucenhos vão às urnas hoje para decidir se aprovam estatuto autonômico dando mais independência de La Paz em questões tributárias
Alguns políticos acreditam que ele esteja encurralado por seus adversários, mas o presidente boliviano, Evo Morales, está disposto a lutar por mais "500 anos" contra os autonomistas do Departamento de Santa Cruz se eles implantarem por meio da força o seu estatuto de governo autônomo depois do referendo que acontece hoje. "Depois que os autonomistas perderam espaços no governo nacional para enriquecimento ilícito, agora buscam um governo departamental para seguirem vivendo do povo, do Estado, por tanto, esta é uma luta ideológica", disse do chefe de governo à Associated Press. "Tratam de confundir o país, e parece que fizeram uma lavagem cerebral em vocês quando perguntam o que vai acontecer" depois do referendo, assinalou. A referência dos 500 anos, freqüente em seus discursos, tem relação com a resistência dos indígenas aos colonizadores brancos. O projeto constitucional que é rechaçado pelas regiões opositoras de Evo alegam que sua aprovação foi ilegal, já que deputados do grupo foram impedidos de participar da votação, e que ele deve ser submetido a referendos antes de entrar em vigor. Evo defende que sua proposta pode ser ampliada com a dos autonomistas. "Sempre há diálogo, sempre existem soluções. Porém, quando são interesses de grupos, de famílias, que querem ostentar o poder econômico, político, os opositores se equivocam", disse o presidente. Milhares de crucenhos vão às urnas hoje para decidir se aprovam o estatuto autonômico, espécie de Constituição local que dará a Santa Cruz mais independência de La Paz em questões tributárias e administrativas. Com o documento aprovado, Santa Cruz poderia reivindicar autonomia para arrecadar impostos, assinar acordos com empresas estrangeiras, outorgar títulos de propriedade de terras e definir políticas nas áreas de educação e segurança, incorporando 43 atribuições atualmente do governo central. Segundo pesquisas, mais de 70% da população deve apoiar o projeto, mas a Corte Nacional Eleitoral e o governo não reconhecem o estatuto e insistem que a votação é ilegal. Movimentos populares ligados ao governo boliviano ameaçaram impedir o referendo que Santa Cruz, o departamento (Estado) mais rico do país, realiza sobre seu estatuto de autonomia.