NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Segunda-feira, 15 de Junho de 2026

MUNDO
Sábado, 09 de Junho de 2012, 13h:46

SÍRIA

Rússia vetará qualquer intervenção militar

Chanceler russo disse que o uso da força no país seria "catastrófico", mas admite que aumenta a impressão de que o país está à beira de uma guerra civil

O chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou ontem que o país vetará qualquer tentativa de outros membros do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) de promover uma intervenção militar na Síria. Lavrov disse que o uso da força no país seria "catastrófico", apesar de considerar que a situação "se torna mais alarmante e aumenta a impressão de que o país está à beira de uma guerra civil". O Itamaraty declarou que o governo brasileiro condena as mortes de civis na Síria O ministro de Relações Exteriores voltou a pedir uma reunião incluindo países do Ocidente, como Estados Unidos, França, Inglaterra e Alemanha, a Liga Árabe e os vizinhos da Síria - Irã, Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia - para respaldar o plano do enviado especial da ONU, Kofi Annan. "Vejo que o plano de Annan começa a afundar. Nós não podemos admitir isso. Não há outra alternativa à aplicação desse plano". O russo ainda afirmou que não se opõe à saída do ditador Bashar al Assad, desde que a decisão seja feita "pela população síria". "É inaceitável que se ponham condições de fora para o diálogo". Junto com a China, a Rússia vetou todas as resoluções mais incisivas ao regime sírio desde o início dos confrontos entre o governo de Assad e a oposição. Pequim e Moscou também criticam os países do Ocidente por considerar apenas o lado dos rebeldes nas negociações de paz. Na quarta, o chanceler propôs uma ampla reunião internacional para discutir a crise na Síria e resgatar as chances de sucesso do plano de paz mediado pelo enviado Kofi Annan. Ele disse que essa reunião seria "diferente das reuniões dos Amigos da Síria, que são devotadas a apoiar o Conselho Nacional da Síria e suas exigências radicais, seria para que todos os atores externos concordem, honestamente e sem duplos padrões, em cumprir o plano de Kofi Annan, porque todos nós o apoiamos". No entanto, a medida foi criticada duramente pelos Estados Unidos e a França. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que "é um pouco difícil de imaginar convidar um país que participa do ataque de Assad ao seu povo", afirmou a secretária, fazendo referência ao Irã. A presença do país persa também foi o motivo da rejeição do chanceler francês, Laurent Fabius. "O Irã não pode participar de forma alguma, já que isto seria, acima de tudo, contraditório com o objetivo de pressionar fortemente Damasco, e teria ainda uma influência nas discussões em torno do programa nuclear iraniano, algo que não é desejável". BRASIL CONDENA O Itamaraty declarou sexta-feira que o governo brasileiro condena as mortes de civis na Síria, incluindo o massacre de Houla, no último dia 25, em que 108 pessoas morreram. A Chancelaria ainda pede que o regime de Bashar al Assad aplique o plano de paz proposto pelo enviado da ONU, Kofi Annan, em abril. Em comunicado, o governo ainda pediu que o regime colabore com o trabalho da missão de observadores da ONU (Organização das Nações Unidas) no país. "O Governo brasileiro insta o Governo sírio a cooperar com a Missão de Supervisão das Nações Unidas na Síria (UNSMIS), integrada por observadores brasileiros, permitindo-lhe acesso irrestrito aos locais conflagrados por conflitos, conforme mandato do Conselho de Segurança da ONU, por meio das Resoluções 2042 e 2043". O chanceler Antonio Patriota também conversou por telefone com Annan na terça, em que, segundo o comunicado, "coincidiram sobre a necessidade de intensificação de mobilização diplomática internacional que vise a evitar a deflagração de um conflito civil, assim como a encontrar solução negociada para a Síria". O Ministério de Relações Exteriores ainda destaca a preocupação do governo com a escalada da violência na Síria e a posição do Brasil na reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, na última sexta, e no debate na Assembleia Geral, na quinta. CRÍTICAS A atuação do governo brasileiro é criticada por países como os Estados Unidos, que gostariam de uma presença mais incisiva de Brasília na solução da crise na Síria. Na semana passada, o porta-voz do Departamento de Estado americano, Mike Hammer pediu maior participação do Brasil nas reações contra o regime. "Queremos ver atividade no Conselho de Segurança da ONU e queremos que o Brasil faça parte desses esforços. Acreditamos que um país do nível do Brasil pode ter bastante influência e queremos que faça parte do esforço para pressionar [o ditador sírio, Bashar al] Assad e seus militares", disse. Washington cobrou também mais apoio de Brasília ao plano de paz proposto pelo enviado especial da ONU, Kofi Annan, divulgado em abril.

Edição EDIÇÃO 16962




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL