MUNDO
Sábado, 09 de Junho de 2012, 13h:46
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SÍRIA
Rússia vetará qualquer intervenção militar
Chanceler russo disse que o uso da força no país seria "catastrófico", mas admite que aumenta a impressão de que o país está à beira de uma guerra civil
O chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou ontem que o país vetará qualquer tentativa de outros membros do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) de promover uma intervenção militar na Síria. Lavrov disse que o uso da força no país seria "catastrófico", apesar de considerar que a situação "se torna mais alarmante e aumenta a impressão de que o país está à beira de uma guerra civil". O Itamaraty declarou que o governo brasileiro condena as mortes de civis na Síria O ministro de Relações Exteriores voltou a pedir uma reunião incluindo países do Ocidente, como Estados Unidos, França, Inglaterra e Alemanha, a Liga Árabe e os vizinhos da Síria - Irã, Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia - para respaldar o plano do enviado especial da ONU, Kofi Annan. "Vejo que o plano de Annan começa a afundar. Nós não podemos admitir isso. Não há outra alternativa à aplicação desse plano". O russo ainda afirmou que não se opõe à saída do ditador Bashar al Assad, desde que a decisão seja feita "pela população síria". "É inaceitável que se ponham condições de fora para o diálogo". Junto com a China, a Rússia vetou todas as resoluções mais incisivas ao regime sírio desde o início dos confrontos entre o governo de Assad e a oposição. Pequim e Moscou também criticam os países do Ocidente por considerar apenas o lado dos rebeldes nas negociações de paz. Na quarta, o chanceler propôs uma ampla reunião internacional para discutir a crise na Síria e resgatar as chances de sucesso do plano de paz mediado pelo enviado Kofi Annan. Ele disse que essa reunião seria "diferente das reuniões dos Amigos da Síria, que são devotadas a apoiar o Conselho Nacional da Síria e suas exigências radicais, seria para que todos os atores externos concordem, honestamente e sem duplos padrões, em cumprir o plano de Kofi Annan, porque todos nós o apoiamos". No entanto, a medida foi criticada duramente pelos Estados Unidos e a França. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que "é um pouco difícil de imaginar convidar um país que participa do ataque de Assad ao seu povo", afirmou a secretária, fazendo referência ao Irã. A presença do país persa também foi o motivo da rejeição do chanceler francês, Laurent Fabius. "O Irã não pode participar de forma alguma, já que isto seria, acima de tudo, contraditório com o objetivo de pressionar fortemente Damasco, e teria ainda uma influência nas discussões em torno do programa nuclear iraniano, algo que não é desejável". BRASIL CONDENA O Itamaraty declarou sexta-feira que o governo brasileiro condena as mortes de civis na Síria, incluindo o massacre de Houla, no último dia 25, em que 108 pessoas morreram. A Chancelaria ainda pede que o regime de Bashar al Assad aplique o plano de paz proposto pelo enviado da ONU, Kofi Annan, em abril. Em comunicado, o governo ainda pediu que o regime colabore com o trabalho da missão de observadores da ONU (Organização das Nações Unidas) no país. "O Governo brasileiro insta o Governo sírio a cooperar com a Missão de Supervisão das Nações Unidas na Síria (UNSMIS), integrada por observadores brasileiros, permitindo-lhe acesso irrestrito aos locais conflagrados por conflitos, conforme mandato do Conselho de Segurança da ONU, por meio das Resoluções 2042 e 2043". O chanceler Antonio Patriota também conversou por telefone com Annan na terça, em que, segundo o comunicado, "coincidiram sobre a necessidade de intensificação de mobilização diplomática internacional que vise a evitar a deflagração de um conflito civil, assim como a encontrar solução negociada para a Síria". O Ministério de Relações Exteriores ainda destaca a preocupação do governo com a escalada da violência na Síria e a posição do Brasil na reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, na última sexta, e no debate na Assembleia Geral, na quinta. CRÍTICAS A atuação do governo brasileiro é criticada por países como os Estados Unidos, que gostariam de uma presença mais incisiva de Brasília na solução da crise na Síria. Na semana passada, o porta-voz do Departamento de Estado americano, Mike Hammer pediu maior participação do Brasil nas reações contra o regime. "Queremos ver atividade no Conselho de Segurança da ONU e queremos que o Brasil faça parte desses esforços. Acreditamos que um país do nível do Brasil pode ter bastante influência e queremos que faça parte do esforço para pressionar [o ditador sírio, Bashar al] Assad e seus militares", disse. Washington cobrou também mais apoio de Brasília ao plano de paz proposto pelo enviado especial da ONU, Kofi Annan, divulgado em abril.