O México deve fechar 2010 com um número recorde de assassinatos ligados ao crime organizado. Ontem, o tétrico "Executômetro", do jornal local "Reforma", superou os 10.035, em uma demonstração da escalada da violência no país sob Felipe Calderón, que assumiu em 2006. Internamente, esses números causam preocupação não só pelos motivos óbvios mas também pelo temor de que o país substitua a Colômbia no epicentro do combate às drogas no continente, em especial aos olhos dos EUA. Recentemente, isso ficou claro nas cobranças sobre Washington pelo plebiscito sobre a liberação da maconha na Califórnia --que acabou com a vitória do "não" -, e em setembro, na crítica à secretária Hillary Clinton, que comparou o vizinho à "Colômbia de 20 anos atrás". Os dois "se parecem cada vez mais" pois a "ameaça da bem organizada rede de narcotráfico está, em alguns casos, se transformando ou se assemelhando ao que consideraríamos como insurgência", disse. "De repente, carros-bomba aparecem onde não existiam." O estopim da comparação foram, aparentemente, os inéditos ataques de carros-bomba no México. O primeiro ocorreu em julho, na fronteiriça Ciudad Juárez, disputada pelos cartéis de Juárez e Sinaloa.