MUNDO
Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008, 21h:32
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BOLÍVIA
Presidente Morales rejeita conceder 'autonomia plena'
O presidente da Bolívia, Evo Morales, rejeitou ontem a reivindicação dos governadores regionais opositores de conceder "autonomia plena" a suas regiões porque, em sua opinião, é o mesmo que pedir "independência" e provocar a divisão do país. O chefe de Estado se referiu ao assunto em Tiquipaya, na área rural de Cochabamba, centro da Bolívia, em cuja capital se reúne nas próximas horas com os governadores regionais opositores para dar seqüência ao processo de diálogo para resolver a crise do país. "Uma autonomia departamental é outra independência", disse Evo em Tiquipaya, e aproveitou para acusar os opositores de "camuflar seu discurso" supostamente separatista sob reivindicações de descentralização. Ele acrescentou que, "acima de qualquer reivindicação regional, setorial ou municipal, em primeiro lugar está a unidade dos bolivianos" e a defesa da democracia. "Esses golpistas se enganam, não têm apoio nacional nem internacional", afirmou, em alusão aos governadores da oposição, os quais também foram acusados de tentar derrubá-lo durante a onda de protestos sociais das últimas semanas. ACORDO O presidente da Bolívia, Evo Morales, e seus opositores discutiram ontem se firmavam ou não um acordo básico que permita avançar o processo de reconciliação nacional. O tom da reunião era de um aparente otimismo. Evo insiste em um acordo global sobre a autonomia regional, reivindicada pelos governadores oposicionistas, em troca do apoio à ratificação em referendo do projeto constitucional promovido pelo governo. Mas o porta-voz dos opositores, o governador de Tarija, Mario Cossío, disse que o acordo pode demorar um pouco mais. O enviado da Organização dos Estados Americanos (OEA), Dante Caputo, disse esperar "sinais formais" das duas partes. Evo chegou na madrugada de quinta de Nova York, onde participou da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas e de um encontro com colegas da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). Na reunião foi decidido que uma comissão da Unasul investigará as mortes ocorridas no departamento (Estado) de Pando.