O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, disse ontem esperar que a aliança possa começar a entregar o controle de algumas províncias do Afeganistão às forças locais em cinco meses. "Ficaremos no país o tempo que for necessário para terminarmos nosso trabalho, mas obviamente não ficaremos para sempre", disse Rasmussen, que está Lisboa. "Espero que estejamos aptos a fazer o anúncio da transição de algumas províncias em Lisboa", disse, fazendo referência à cúpula da Otan que será realizada na capital portuguesa em novembro. A Otan planeja treinar as tropas nacionais e gradualmente entregar a responsabilidade ao Exército e à Polícia. A violência no país, porém, tem aumentado mesmo com a crescente presença das forças da aliança e dos EUA para lutar contra a insurgência do Taleban. Para Rasmussen, a guerra no Afeganistão permanecerá como "a mais importante operação da Otan por um bom tempo", mas disse que em novembro as tropas internacionais devem anunciar que as forças nacionais começarão a assumir o controle da situação em algumas regiões do país. O presidente dos EUA, Barack Obama, estabeleceu julho de 2011 como o prazo para iniciar a retirada das tropas americanas do Afeganistão. Rasmussen disse que a data seria uma oportunidade para rever os efeitos da missão da Otan no país asiático, mas que "definitivamente não será data de retirada completa do Afeganistão". "Nossa missão terminará quando os afegãos forem capazes de governar e garantir a segurança de seu próprio país. Obviamente, o Afeganistão permanecerá como um marco importante para a Otan", disse o chefe da aliança de 46 países. CHEGADA O principal comandante de campo dos Estados Unidos chegou ao Afeganistão ontem para assumir o controle da instável guerra no país, prometendo enfrentar a insurgência Taliban de nove anos com uma estratégia que ele implementou com sucesso no Iraque. O general David Petraeus chegou um dia depois que sua nomeação foi confirmada pelo Senado norte-americano e apenas horas depois de a Câmara dos Deputados aprovar 33 bilhões de dólares para financiar um aumento de tropas que ele espera irá mudar o rumo da guerra.