A oposição síria considerou ontem "uma manobra política" a iniciativa russa de colocar sob controle internacional o arsenal químico para evitar ataques ocidentais ao país e voltou a exigir uma "retaliação" contra o regime de Bashar Al Assad. "O último apelo do [ministro dos Negócios Estrangeiros russo] Lavrov é uma manobra política que se inscreve no quadro dos adiamentos inúteis, que só trarão mais mortos e destruição para o povo sírio", informou a Coligação da Oposição Síria em um comunicado divulgado na noite de anteontem. Segundo a oposição, "a violação da lei internacional necessita de uma resposta internacional apropriada", um apelo indireto à administração de Barack Obama para que não abandone o seu plano de ataques contra o regime sírio. O Congresso norte-americano deve pronunciar-se nos próximos dias sobre uma resolução que autorize o presidente Obama a usar a força contra o regime sírio, como retaliação pelo suposto ataque químico no dia 21 de agosto, próximo a Damasco, capital do país. "Os autores dos crimes de guerra não podem ser perdoados e os seus crimes contra a humanidade não podem ser apagados fazendo concessões políticas ou entregando o instrumento com que esses crimes foram cometidos", indicou a oposição, em uma referência às armas químicas. O chefe dos rebeldes sírios, Sélim Idriss, acusou ontem o regime de Bashar Al Assad e os seus aliados russos de mentirem, depois de Damasco ter acolhido favoravelmente a iniciativa de Moscou. "Apelamos para a realização dos ataques e advertimos a comunidade internacional de que o regime [de Assad] só diz mentiras e que o mentiroso Putin é o seu professor", disse o chefe do Exército Sírio Livre, em um programa de televisão.