MUNDO
Terça-feira, 13 de Março de 2012, 22h:09
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SÍRIA
ONU denuncia tortura e morte de crianças
Segundo comunicado da Unicef, só no bairro de Karm el Zaitun foram encontrados restos mortais de crianças, alguns deles degolados e com marcas de tortura
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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Dois organismos das Nações Unidas, em levantamentos separados, descreveram um quadro sombrio da violência, após 11 meses de insurgência contra o regime do ditar Bashar al-Assad. O Alto Comissariado das Nações Unidos indicou que 30.000 pessoas já fugiram para a Turquia, Líbano e Jordânia, com a migração de centenas diariamente, em meio à onda de violência que já matou mais de 7.500 em cerca de um ano, segundo os grupos de oposição e a própria ONU. De acordo com o Crescente Vermelho (representação da Cruz Vermelha), outros 200.000 já fizeram migrações internas, fugindo de localidades como Homs, enclave rebelde sob pesado ataque das forças de repressão do regime sírio. E a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) denunciou o assassinato de crianças e mulheres no massacre de domingo em Homs, na região central. Em um comunicado emitido ontem, o organismo destacou que, entre os cadáveres encontrados no bairro de Karm el Zaitun (local do massacre) foram encontrados restos mortais de crianças, alguns deles degolados e com marcas de tortura. Anteontem, o grupo opositor Comitês de Coordenação Local divulgaram o descobrimento de 45 cadáveres em Homs, a maior parte de mulheres e crianças, culpando o regime de Damasco. ELEIÇÕES O presidente sírio Bachar al-Assad anunciou ontem a realização de eleições legislativas no dia 7 de maio, enquanto enfrenta uma revolta sem precedentes, que já dura um ano. "O presidente Assad emitiu um decreto estabelecendo eleições para a Assembleia do Povo [Parlamento] no próximo dia 7 de maio", informou a agência de notícias oficial Sana. Há dias a comunidade internacional tem pressionado o regime. O emissário internacional Kofi Annan, durante sua missão em Damasco no último fim de semana, cobrou do governo "propostas concretas" e o fim da violência. As autoridades esperavam realizar estas eleições no final de 2011, com a promessa de legislativas "livres e transparentes". Estas seriam as terceiras eleições legislativas na Síria desde a chegada de Bashar al-Assad ao poder em 2000. Nas últimas legislativas, em abril de 2007, a Frente Nacional Progressista (FNP) - coalizão liderada pelo partido Baath no poder-- venceu, sem surpresas, a maioria das 250 cadeiras do Parlamento. As eleições na Síria foram denunciadas pela oposição e pela comunidade internacional como uma "farsa".