A ex-primeira-ministra do Paquistão, Benazir Bhutto, não foi atingida por tiros ou estilhaços de bomba, e se preparava para retornar à segurança de seu carro blindado quando a onda de choque da explosão provocada pelo assassino fez com que a cabeça da líder oposicionista batesse no teto solar do veículo. Foi a fratura do crânio provocada pelo impacto que a matou, de acordo com informações divulgadas pelo porta-voz do Ministério do Interior, Javed Iqbal Cheema. Anteriormente, fontes dos serviços de segurança paquistaneses haviam dito que Benazir tinha sido baleada na cabeça e no pescoço. ELEIÇÕES Apesar do assassinato de Bhutto, o governo paquistanês decidiu, ontem, manter o calendário das eleições parlamentares. A decisão foi tomada em uma reunião urgente presidida pelo primeiro-ministro interino Mohammamian Soomro. "O governo usará todos os meios para acabar com essa conspiração contra o Paquistão", disse Soomro em discurso à nação. O primeiro-ministro pediu aos paquistaneses que mantenham a calma. Para ele, a instabilidade poderia dificultar a investigação e beneficiar os responsáveis pelo ataque. A declaração é uma tentativa de evitar o aprofundamento de uma crise política no país, detentor de armas nucleares. BOICOTE O também ex-premiê e líder oposicionista Nawaz Sharif, afirmou, no entanto, que seu partido irá boicotar as eleições. Segundo ele, se o governo insistir em manter o calendário eleitoral, o "país vai se destroçar". "Se as eleições forem mantidas, entraremos em um caminho de autodestruição", afirmou. Sharif reiterou que exige a renúncia imediata do ditador paquistanês Pervez Musharraf. Para ele, o assassinato de Bhutto é "prova" de que as eleições não serão conduzidas de forma transparente. "Musharraf tem que renunciar. Esta é a demanda número um da nação hoje. E eu posso ver que a população quer que isto aconteça o mais rápido possível, sem nenhum adiamento", declarou o ex-premiê.