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MUNDO
Sábado, 13 de Fevereiro de 2010, 09h:06

CHINA

Obama rejeita pressão e mantém encontro

Pequim reagiu à proposta do governo americano de vender US$ 6,4 bilhões em armas a Taiwan, a ilha que a China trata como uma Província separatista

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, seguirá em frente com o plano de se reunir com o dalai-lama a próxima quinta-feira, apesar do apelo chinês para que o encontro com o líder espiritual dos buditas tibetanos fosse cancelado, informou ontem a Casa Branca. "Não ficou claro se seu pedido específico foi para que o encontro seja cancelado", disse a repórteres o porta-voz presidencial Robert Gibbs. "Se era isso que eles realmente queriam, o encontro será como estava combinado, na próxima quinta-feira. Ontem, a China anunciou que exigia que os EUA suspendessem "imediatamente" Obama e o dalai-lama, considerado pelo governo chinês como separatista, enquanto ele procura maior autonomia para o Tibete e aumento do território da região autônoma. "A China se opõe firmemente à visita do dalai-lama aos EUA e a qualquer contato dele com líderes europeus", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Ma Zhaoxu. Embora a China alegue que o Tibete é parte do seu território há séculos devido a uniões dinásticas, os tibetanos acreditam que seu país foi injustamente dominado em diferentes períodos da história chinesa, o último deles iniciado há 60 anos com a ascensão do regime comunista. Defensores dos direitos humanos e organizações em todo o mundo, como a Campanha Internacional para o Tibete, defendem a integridade territorial do território tibetano e os trabalhos do dalai-lama para alcançar um acordo pacífico com a China. O governo chinês frequentemente critica como hipócritas as manifestações do dalai-lama, afirmando que o Tibete era um reino feudal, com a plena vigência da servidão, até a chegada das tropas comunistas e o acusam de, por baixo do discurso pacifista, ser conivente com manifestações violentas como a que aconteceu antes da Olimpíada de Pequim, em 2008. O próprio dalai-lama deixou o Tibete após uma revolta frustrada contra a dominação chinesa, no fim dos anos 50. Todos os presidentes americanos recentes receberam o dalai-lama, mas Obama deixou de recebê-lo no ano passado, durante uma visita a Washington, aparentemente para não atrapalhar sua visita à China, pouco depois. Agora, uma reunião entre Obama e o dalai-lama pode comprometer ainda mais as relações entre Pequim e Washington, que já atravessam um momento delicado.

Edição EDIÇÃO 16967




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