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MUNDO
Quarta-feira, 23 de Julho de 2014, 20h:42

GAZA/ISRAEL

Novos ataques aumentam número de mortos

O Conselho de Direitos Humanos da ONU abriu uma investigação sobre a ofensiva israelense em Gaza para avaliar a suspeita de que houve crimes de guerra

DIOGO BERCITO
Da Folhapress – Gaza
As Forças de Defesa de Israel davam continuidade, ontem, ao severo bombardeio em toda a faixa de Gaza, aumentando as cifras de mortos e feridos na região. Durante toda a manhã, ouviam-se explosões e o sobrevoo de aviões não tripulados no estreito de terra. O Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) abriu ontem uma investigação sobre a ofensiva militar israelense em Gaza para avaliar a suspeita de que houve crimes de guerra no território palestino. Autoridades palestinas estimavam em 19 os mortos durante os ataques noturnos do Exército. Uma ação na região de Shamaa, na cidade de Gaza, deixou ao menos um morto e 30 feridos, segundo as informações preliminares, não confirmadas. A reportagem visitava o hospital de Shifa, na cidade, quando as ambulâncias começaram a chegar trazendo os feridos. Foram diversas levas, carregando crianças empoeiradas e ensanguentadas. Familiares preenchiam o saguão com os seus gritos de desespero. "Meu irmãozinho, meu irmãozinho", uma jovem lamentava. Testemunhas afirmavam estar ao redor da mesquita de Shamaa quando houve a explosão. Não estava claro o objetivo estratégico do Exército, ali. Israel tem acusado a facção palestina Hamas de usar os civis como escudos. "Qual foi o nosso pecado? Sermos palestinos?", perguntava Najah al-Atar, no pátio de uma escola transformada em refúgio. "Temos medo. Somos mulheres, crianças, anciãos. Não temos para aonde ir." O número de militares israelenses mortos desde o início da operação Margem Protetora subiu para 29, após mais dois soldados morrerem na terça-feira nos combates na faixa de Gaza, informou nesta quarta o Exército de Israel. O número de mortos entre os palestinos já passou de 600, enquanto os feridos são quase 4 mil, segundo a ONU, a maioria deles civis e vítimas dos bombardeios das Forças Armadas de Israel sobre o território palestino. O sequestro e morte de jovens israelenses e de um jovem palestino desencadearam a escalada de violência na região. A invasão terrestre de Gaza, com o objetivo de destruir os túneis que o Hamas usa para se infiltrar em Israel, começou na última quinta. INVESTIGAÇÃO O Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) abriu ontem uma investigação sobre a ofensiva militar israelense em Gaza para avaliar a suspeita de que houve crimes de guerra no território palestino. A operação do Exército do Estado judaico começou na última quinta, deixou mais de 600 palestinos mortos e mais de 4.000 feridos. Outros três civis e 32 militares israelenses morreram durante as ações. A investigação foi aprovada por 29 dos 47 países que participaram da votação, dentre eles Brasil, Rússia, China e Índia. Os Estados Unidos, principal aliado de Israel, votaram contra e 17 países, em sua maioria europeus, se abstiveram. Antes da votação, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu a investigação baseando-se em ataques cometidos por Israel em Gaza e outras ações do grupo radical palestino Hamas contra áreas civis. Dentre os exemplos, citou a destruição de casas e escolas e a morte de mais de cem crianças na faixa de Gaza. "Estes são alguns exemplos em que parece haver forte possibilidade de que o direito internacional humanitário tenha sido violado". O ministro das Relações Exteriores palestino, Riad Malki, disse que Israel cometeu crimes hediondos. "Israel destrói completamente bairros residenciais. O que Israel faz viola as convenções de Genebra". Em nota após a decisão, Israel chamou de "farsa" a decisão do conselho, diz ter adotado medidas para não prejudicar os civis palestinos e acusa o Hamas de ter cometido um duplo crime de guerra. "O Conselho deveria lançar uma investigação contra a decisão do Hamas de transformar hospitais em centros de comando militar, usar escolas para armazenar armas e colocar baterias de mísseis junto de parques infantis, casas e mesquitas". Na Jordânia, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, descreveu a situação em Gaza como "catastrófica" e continuou a pedir apoio para que se realize um cessar-fogo na região. CONFLITO Ontem, continuam os combates em Gaza e em Israel. Segundo o Exército de Israel, um operário tailandês morreu após ser atingido por um foguete disparado do território palestino em Askhelon.

Edição EDIÇÃO 16963




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