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MUNDO
Terça-feira, 20 de Maio de 2008, 20h:44

DESERTORA

Negado laços entre Chávez e Farc

A comandante guerrilheira colombiana Karina, que desertou das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), assegurou ontem que nunca soube de acordo do grupo com os governos da Venezuela e do Equador, segundo afirmou a agência France Presse. "Admiramos o presidente [venezuelano] Hugo Chávez, mas não conheci acordos, negociações ou qualquer outra coisa desse tipo com ele, até mesmo com o presidente [equatoriano] Rafael Correa", afirmou a líder em conversa telefônica com uma rádio local. A dirigente das Farc disse ainda que sua rendição "foi um golpe muito duro" para a guerrilha, e anunciou que colaborará com a Justiça em troca de benefícios legais. A rebelde, cujo nome verdadeiro é Nelly Ávila Moreno, negou ser a autora dos inúmeros crimes atribuídos a ela. Há pelo menos 24 anos nas Farc, Nelly é acusada de participação no assassinato de Alberto Uribe, pai do atual presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, em 1983 - o que ela nega. "Não sei quem matou o pai do presidente", disse. "Não tenho as mãos sujas nesse caso." "Essa fama foi criada pela imprensa. Às vezes, não se investiga bem e criam um estereótipo", disse a ex-comandante à rádio Caracol. Karina está em uma dependência oficial de Medellín, capital do departamento de Antioquia (noroeste), onde foi apresentada pelos órgãos militares e de inteligência estatal aos meios de comunicação. Quando perguntada sobre os crimes que cometeu na guerrilha, se recusou a dizer quantos foram. "Darei essa informação às autoridades, vou colaborar com a Justiça", disse. Ela contou que entrou na guerrilha há 24 anos, porque "gostava de armas", e revelou que sua família foi vítima de violência. Karina também disse ter matado pessoas em combate, mas afirmou não ter cometido nenhum assassinato a sangue frio. O governo, no entanto, acusa Nelly de ter comandado outros massacres. Um deles foi a tomada de um batalhão em Juradó, no litoral do Pacífico colombiano, em 1999, no qual morreram 25 soldados.

Edição EDIÇÃO 16967




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