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MUNDO
Segunda-feira, 21 de Outubro de 2013, 20h:16

ESPIONAGEM

França cobra de governo norte-americano

A NSA teria feito 70,3 milhões de registros de dados e telefônicos de franceses em um período de 30 dias. "Todos os países espionam", alega a Casa Branca

O governo francês pediu ontem ao embaixador dos Estados Unidos no país, Charles Rivkin, garantias de que as interceptações de comunicações francesas deixaram de ser feitas, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Quai D'Orsay, depois de novas revelações sobre espionagem americana. O embaixador foi chamado ao ministério em caráter de urgência depois de o jornal Le Monde ter noticiado, na sua página na internet, que a Agência de Segurança Nacional (NSA) fez 70,3 milhões de registros de dados e telefônicos de franceses em um período de 30 dias, entre o final de 2012 e o início de 2013. Charles Rivkin foi recebido no Ministério de Negócios Estrangeiros por Alexandre Ziegler, chefe de gabinete do chanceler Laurent Fabius. “Recordamos [ao embaixador] que esse tipo de prática entre aliados é totalmente inaceitável e que precisamos nos assegurar que elas já não ocorrem”, disse aos jornalistas o subdiretor para a imprensa, Alexandre Giorgini. O governo francês pediu que seja dada uma resposta concreta no prazo mais curto possível. A questão também vai ser abordada amanhã (22) pelo chefe da diplomacia francesa com o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, em reunião que terão em Paris, antes do encontro que será realizado em Londres, entre os países Amigos da Síria e a Liga Árabe. “O encontro entre Laurent Fabius e o seu homólogo norte-americano, amanhã (hoje), será essencialmente sobre a situação na Síria e as questões regionais, mas este assunto também vai ser abordado", disse Giorgini. O embaixador americano em Paris já havia sido chamado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros no dia 1º de julho, depois das primeiras informações sobre a espionagem da NSA na Europa. Na ocasião, a França propôs aos parceiros na União Europeia (UE) que a proteção de dados fosse integrada às negociações para um acordo de livre comércio entre a UE e os Estados Unidos. Essa proposta levou à criação de um grupo de trabalho entre as partes, em julho, que se reuniu duas vezes. Segundo o Le Monde, que cita documentos da NSA divulgados pelo ex-consultor Edward Snowden, os principais objetivos da espionagem americana na França eram suspeitos de ligações com o terrorismo e também personalidades ligadas ao mundo empresarial e político. EUA A Casa Branca respondeu ontem às queixas feitas pela França sobre as novas denúncias de espionagem por parte da Agência de Segurança Nacional americana alegando que "todas as nações realizam operações de espionagem". "Já deixamos claro que os Estados Unidos recolhem informações de inteligência no exterior do mesmo modo que todos os países recolhem", afirmou a porta-voz da agência, Caitlin Hayden. "Como disse o presidente (Barack Obama) em seu discurso na assembleia geral das Nações Unidas, começamos a revisar o modo com que obtemos informações para poder chegar a um equilíbrio entre as legítimas preocupações pela segurança de nossos concidadãos e aliados e as preocupações que todo o mundo compartilha a propósito da proteção de sua intimidade", acresentou. Segundo o jornal Le Monde, em sua edição de ontem, a agência americana de Segurança (NSA) realizou 70,3 milhões de gravações de dados telefônicos de franceses em um período de 30 dias entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013.

Edição EDIÇÃO 16967




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