LUIZ ANTÔNIO ALVES
Da Agência Brasil - Buenos Aires
Um novo conflito diplomático entre a Argentina e a Grã-Bretanha relacionado às Ilhas Malvinas criou clima de tensão entre os dois países na noite de anteontem, quando o governo de Cristina Kirchner repudiou o comunicado de que a Marinha inglesa se prepara para iniciar hoje exercícios militares a partir da localidade de Port Harriet. Os exercícios envolvem o lançamento de mísseis Rapier terra-ar que podem alcançar alvos posicionados entre 400 metros a seis quilômetros. O comunicado do governo inglês foi enviado ao Serviço Hidrográfico Naval da Marinha Argentina e está de acordo com normas internacionais sobre a realização de exercícios que envolvam a utilização de armas. As manobras militares britânicas nas Ilhas Malvinas prosseguem até o dia 22. CANCELAMENTO No começo da noite de anteontem, durante coletiva à imprensa convocada a pressas, o vice-chanceler argentino Alberto D'alotto informou que o governo exigiu da Grã-Bretanha o imediato cancelamento dos exercícios militares nas Malvinas, considerados uma nova provocação que marca a persistente falta de respeito da Grã-Bretanha às decisões da comunidade internacional. D'alloto disse que a realização dos exercícios será formalmente levada ao conhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU), da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). O vice-chanceler argentino também informou que uma carta de protesto foi entregue à embaixadora da Grã-Bretanha, Shan Morgan, que se declarou surpresa com a reação da Casa Rosada. Estamos assombrados porque estes exercícios são de rotina e se realizam a cada seis meses, há 28 anos, disse integrante da chancelaria inglesa. O governo da Grã-Bretanha ainda não se posicionou sobre o novo clima de tensão com a Argentina. O último conflito entre os dois governos aconteceu em fevereiro deste ano, quando a empresa britânica Desire Petroleum iniciou a perfuração de um campo de provas para a extração de petróleo nas Malvinas, chamada pelos britânicos de Falklands. A empresa interrompeu os trabalhos dias depois, afirmando que o petróleo da área era de má qualidade.