MUNDO
Segunda-feira, 13 de Outubro de 2014, 19h:45
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BOLÍVIA
Evo dedica reeleição a Fidel
O presidente da Bolívia, Evo Morales, 54, comemorou sua vitória domingo, depois que as pesquisas de boca de urna apontaram sua reeleição, dedicando a conquista ao líder cubano Fidel Castro, ao falecido líder venezuelano Hugo Chávez, e a todos os governos "anti-imperialistas" do mundo. Morales e seu vice-presidente, Álvaro García Linera, teriam vencido as eleições com cerca de 60% dos votos, segundo as pesquisas e por contagem rápida divulgada pela imprensa boliviana, embora ainda não haja resultado da apuração oficial. Se os resultados forem confirmados, Morales terá seu terceiro mandato consecutivo e governará até 2020. O presidente, um grande defensor da folha de coca e crítico dos Estados Unidos, discursou na varanda do Palácio do governo diante de uma multidão. Morales se dirigiu à oposição, à qual pediu para não promover confrontos e para trabalharem unidos pela Bolívia. Pela primeira vez na história, Morales conseguiu a vitória no próspero departamento de Santa Cruz, antigo reduto autonomista. No departamento, motor econômico da Bolívia e que concentrou por um período a oposição mais radical à política estatizante e antiamericana de Morales, o presidente conseguiu um apoio surpreendente, favorecido pelo crescimento econômico e o bom momento dos negócios. Segundo o FMI, a Bolívia deve registrar crescimento de 6,5% do PIB em 2014, o maior da região. Morales diz que seu Movimento Ao Socialismo (MAS) ganhou com clareza em oito dos nove departamentos e ainda "briga voto a voto" em um deles, em alusão à região amazônica de Beni, na qual segundo as pesquisas teria vencido o opositor Samuel Doria Medina, que em nível nacional teria obtido em torno de 25% dos votos. Morales, que se tornou o primeiro líder indígena da Bolívia, em 2006, vai agora ser capaz de estender o chamado "socialismo indígena", pelo qual estatizou setores-chave da economia, como petróleo e gás, para financiar programas de bem-estar social. "Este foi um debate sobre dois modelos: nacionalização ou privatização. A nacionalização venceu com mais de 60%", disse Morales. O Tribunal Eleitoral suspendeu a apuração oficial após contabilizar menos de 3% dos votos e deve retomar os trabalhos ontem. MADURO O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, cumprimentou a nova reeleição de seu colega e aliado da Bolívia. Maduro tinha previsto no sábado que Morales ganharia com uma quantidade de votos que seria um novo "recorde histórico". "A 522 anos da chegada a América do império espanhol; 522 anos depois que começou a barbárie (...) o presidente índio ao que tanto subestimaram e tanto dano tentaram fazer as oligarquias, vai ter uma vitória com um recorde histórico de votação", assinalou Maduro em pronunciamento pela televisão.