MUNDO
Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011, 19h:39
A
A
EFEITO PALESTINA
EUA cortam envio de fundos à Unesco
A Unesco decidiu admitir a entrada da Palestina como membro total no órgão com uma resolução que foi aprovada com 107 votos a favor e 52 abstenções
O governo dos Estados Unidos irá deixar de conceder fundos à Unesco - agência cultural da ONU - após a aprovação da entrada da Palestina como Estado-membro pleno. Segundo a porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland, a decisão da Unesco foi "lamentável, prematura e mina o objetivo comum para um acordo de paz justo e duradouro" entre israelenses e palestinos. Por isso, segundo ela, os EUA deixarão de fazer o pagamento de US$ 60 milhões que faria em novembro. No entanto, de acordo com a porta-voz, os EUA continuarão a ser membro da organização. Os EUA - que se retiraram da Unesco em 1984 argumentando que não estava de acordo com a gestão do organismo, regressando em 2003 - advertiram em reiteradas ocasiões que poderiam cortar a ajuda econômica à Unesco, de 22% do orçamento bianual, que chega a US$ 653 milhões. A Unesco decidiu admitir a entrada da Palestina como membro total no órgão na 36ª Conferência Geral com uma resolução foi aprovada com 107 votos a favor e 52 abstenções. Foram contra 14 membros. A admissão representa uma vitória moral aos palestinos na tentativa de obter a condição de membro pleno da ONU, mas pode ter um grande custo para a Unesco. O governo palestino havia pleiteado a entrada como membro pleno da ONU, mas Israel se opôs à medida. Os EUA disseram que vetariam o plano no Conselho de Segurança. "Esta votação vai apagar uma pequena parte da injustiça cometida contra o povo palestino", afirmou o ministro das Relações Exteriores palestino, Riyad al-Malki. VOTO Para conceder o status de Estado-membro à Palestina, a Unesco necessitava do voto afirmativo de dois terços dos 193 países representados na votação. A condição anterior dos palestinos era de membro observador. A solicitação de mudança de status é parte da batalha diplomática empreendida pelo povo árabe para que sejam reconhecidos como Estado, o que culminaria em sua tentativa de ingressar na ONU. A agência é a primeira da organização em que os palestinos buscaram integração como membro total desde que o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, entrou com o pedido de assento na ONU, em 23 de setembro. O presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, saudou a adesão da Palestina como membro pleno da Unesco como uma "vitória" para os direitos de seu povo. "Aceitar a Palestina na Unesco é uma vitória para (os nossos) direitos, para a justiça e para a liberdade", afirmou seu porta-voz, Nabil Abu Rudeina, citando declarações feitas por Abbas em uma ligação a partir de Amã. NOMEAÇÃO O engenheiro eletrônico Abdel Rahim al Keeb foi nomeado ontem primeiro-ministro da Líbia. Al Keeb foi eleito por 26 dos 51 membros do Conselho Nacional de Transição - órgão político interino que governa o país desde a queda do ex-ditador Muammar Khadafi - e deverá formar um novo gabinete de governo nos próximos dias. Ele foi escolhido no primeiro turno entre cinco candidatos. O novo governo deverá administrar a Líbia nos próximos meses e preparar as eleições gerais no país.