MUNDO
Terça-feira, 05 de Setembro de 2000, 21h:12
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TRÁFICO DE MULHERES
Espanha tem 4 mil prostitutas brasileiras
Camila, uma jovem goiana que se prostitui em dois clubes de Badajoz o Olimpo e o Fresas , na fronteira da Espanha com Portugal, prova o que as autoridades européias vêm constatando nos últimos três anos. Cresceu o número de mulheres brasileiras que vão para a Espanha, Portugal, França e Suíça, entre outros países, para viver da prostituição mantida por redes que traficam imigrantes ilegais. Não há uma contagem oficial, mas estimativas indicam que hoje as brasileiras disputam com as colombianas e com as dominicanas o posto de contingente mais numeroso no submundo do mercado espanhol do sexo. A Brigada Central de Estrangeiros, que fica em Madri, calcula que existam entre 4 mil e 5 mil prostitutas brasileiras nas casas noturnas, conhecidas pelos espanhóis como putclubs ou putículos. Entre as brasileiras, a metade é de Goiás, segundo o Consulado do Brasil na Espanha. Para autoridades espanholas, mulheres como Camila, de 25 anos, são as escravas do século 21. O porta-voz da Direção Geral de Polícia da Espanha, José Maria Ruiz, acredita que entre 7% e 8% das prostitutas que vivem no país estejam em situação de escravidão branca. Logo no primeiro dia de procura de mulheres brasileiras na noite de Badajoz a reportagem encontrou Camila (nome fictício). Em meio a outras cinco dezenas de mulheres vestidas com trajes mínimos, ela desfilava irrequieta na penumbra esfumaçada do clube, na tentativa de seduzir os homens que freqüentavam o local, em número bem menor. A concentração maior de clientes fica em torno do balcão do bar as bebidas são a segunda fonte de lucro garantida nos prostíbulos espanhóis. Apesar dos números, ninguém conhece qualquer campanha oficial no Brasil, para esclarecer as vítimas ou combater a ação da rede de aliciadores. Em países como os Estados Unidos, e até em algumas localidades espanholas, já existem campanhas contra o tráfico humano, quase sempre feito para alimentar redes de prostituição ou inserir mão-de-obra ilegal nos mercados estrangeiros. Em 1998, a polícia espanhola identificou e desarticulou 41 redes de prostituição de imigrantes ilegais e prendeu 137 pessoas, muitas delas brasileiras envolvidas com falsificação de documentos e com o tráfico de drogas. Foram encontradas sob o domínio dessas redes 463 prostitutas. Várias delas acabaram expulsas porque estavam com o visto de turista, com duração de três meses, vencido. No ano passado, esses números dobraram. A polícia flagrou e desmontou 82 redes e prendeu 312 pessoas, identificando nada menos que 861 mulheres sob o domínio de cafetões e de donos de clubes. A polícia ainda não tabulou os dados de 2000, mas, apesar dos esforços, Ruiz acredita que a situação não esteja diferente.