Escudo antimísseis dos EUA na Europa pode deter armas russas
Após meses de críticas mútuas cada vez mais duras, os Estados Unidos e a Rússia fizeram uma pausa nas hostilidades e firmaram um acordo que permitirá negociar a implantação de um sistema de defesa antimísseis americano no leste europeu. Em vista da oposição ferrenha que os russos vêm impondo ao sistema, no entanto, nada indica que a negociação será bem sucedida. Para o professor do Departamento de Política e Relações Internacionais da Universidade de Nottingham (Inglaterra) Matthew Rendall, especialista em União Soviética e em ética da dissuasão nuclear, os temores russos não são totalmente infundados. "O sistema de defesa que os americanos querem implementar na Europa pode ter ser desenvolvido no futuro para ser capaz de derrubar mísseis da Rússia", afirmou ele por telefone à Folha Online. Na semana anterior, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou retaliar a implantação do escudo antimísseis americano. A proposta dos EUA inclui instalar dez mísseis interceptores na Polônia e um radar ultra-aperfeiçoado na República Tcheca. Apesar das negativas de Washington, Moscou suspeita que os EUA considerem o arsenal de mísseis estratégicos da Rússia como um alvo. Apesar do cenário de aparente perigo, o professor minimiza o risco. "Na minha opinião, atualmente nem o escudo funcionaria tão bem nem os americanos têm intenções militares contra os russos", diz Rendall. "Nem se quisessem, não creio que os EUA podem se sentir seguros de que um ataque contra a Rússia não geraria uma retaliação de graves conseqüências para o território americano. Não acho que os russos devem se preocupar", acrescenta. RISCO INÚTIL Segundo o especialista, atualmente o arsenal de mísseis russos é tão grande que é impossível a um escudo ser eficiente no caso de ataque. Mas esse cenário pode mudar se o sistema for aumentado no futuro.