Trata-se de uma eleição presidencial histórica, fruto da primeira democracia do país, em um processo que significará a abertura de uma nova fase política no país
Os cidadãos egípcios terão hoje e amanhã a oportunidade de votar no primeiro turno de uma eleição presidencial histórica, fruto da primeira democracia do país, em um processo que significará a abertura de uma nova fase política no país, com a esperada saída da Junta Militar do poder. Os militares já se mobilizaram em torno dos colégios eleitorais para garantir que as eleições sejam "limpas e transparentes", tal como se comprometeu nesta terça-feira o Conselho Supremo das Forças Armadas. Cerca de 50 milhões de cidadãos estão habilitados para comparecer às urnas, num processo que será controlado por 12.509 juízes e supervisionado por 9.534 membros de organizações da sociedade civil locais e 243 de três grupos estrangeiros, inclusive o Centro Carter - ONG fundada pelo ex-presidente americano Jimmy Carter. A Junta Militar egípcia, máxima autoridade provisória no país até que abandone o poder antes de 30 de junho, indicou ontem que suas tropas estão preparadas para garantir a segurança das eleições presidenciais e advertiu contra aqueles que não respeitam os resultados. O general da cúpula militar Mohammed al Assar afirmou que o Exército está disposto para enfrentar "todas as eventualidades" que possam surgir. Segundo ele, a apuração dos votos será realizada nos mesmos colégios de "forma transparente". Ao ser perguntado pela reação do Exército se alguma das partes rejeitar os resultados, Assar respondeu que as Forças Armadas "agirão com firmeza" contra qualquer pessoa que tentar prejudicar a ordem pública. O ambiente eleitoral se respira nas ruas empapeladas de propaganda dos candidatos do Cairo, onde as eleições dominam as conversas nos cafés, restaurantes, táxis e escritórios. OBSTÁCULOS O cansaço e o fastio que prevaleceram nos últimos meses frente aos obstáculos da transição política pós-revolução e dos distúrbios recorrentes deram lugar a um clima de excitação coletiva ante a agora iminente votação. "E você, em quem vai votar?", é a pergunta mais frequente entre os egípcios nesses dias, uma questão que saltou das ruas aos fóruns online através das redes sociais Facebook e Twitter, que se transformaram em cafés virtuais usados e abusados pelos internautas para trocar opiniões. A concorrência entre os candidatos se apresenta muito acirrada, sem que até o momento seja possível especular os prováveis nomes que avançarão ao segundo turno.