Só os cadáveres, parte do total de 510 mortos estimados pelo Corpo de Bombeiros peruano, são acompanhados por velas, no Peru
Famílias inteiras velam corpos de parentes à beira da estrada que vai de Chincha a Pisco, no departamento de Ica, a região mais afetada pelo terremoto de 8 graus na escala Richter que, na noite de quarta-feira, devastou o sul do Peru. De crianças recém-nascidas a idosos, eles passam a madrugada ao relento. Só os cadáveres, parte do total de 510 mortos estimados pelo Corpo de Bombeiros peruano, são acompanhados por velas. Os feridos são cerca de 1.500, 400 dos quais já haviam sido levados ontem para a capital, Lima, a fim de serem mais bem atendidos. Ninguém consegue dormir, sob temperatura de 9º C e sensação térmica ainda mais fria por causa dos ventos que chegam do oceano Pacífico, a apenas 4 km de distância. Há pouquíssimas barracas ou cobertores para os desabrigados. Faltam alimentos e toda a região está sem luz e água desde a noite de quarta-feira. Os poucos armazéns que não foram completamente destruídos na cidade são invadidos por famílias inteiras. Caminhões que chegam com donativos são brecados por dezenas de pessoas, que tentam roubar primeiramente garrafas de água. O instinto de sobrevivência transforma até donas-de-casa em saqueadoras. ARRASADA Mais de 80% de Pisco, com 130 mil habitantes, foi arrasada pelo terremoto. Três igrejas desmoronaram durante o terremoto -uma delas no momento em que se celebrava uma missa de um mês de falecimento de uma personalidade local. As quase 300 pessoas presentes foram soterradas. Há reproduções da Santa Ceia e do Coração de Jesus, dessas comuns nas casas mais humildes, por todos os lados. As casas parecem de papelão; só algumas fachadas estão em pé. Pisco parece ter sido bombardeada. Água potável, comida e remédios têm sido as principais solicitações de ajuda do governo peruano à comunidade internacional. Além da ajuda mandada por diversos países e entidades internacionais, a ONU começou a desbloquear cerca de US$ 150 milhões em fundos para assistência ao Peru.