MUNDO
Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009, 01h:15
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CONFLITO
Conflitos deixaram pelo menos um morto
Governo suspendeu temporariamente toque de recolher no país. E Lula apela, na ONU, pela volta de Zelaya à presidência
Pelo menos uma pessoa morreu e outras três foram baleadas durante uma manifestação de simpatizantes do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, em Tegucigalpa, ontem. Em entrevista à BBC Mundo, o chefe de polícia José Danilo Orellana confirmou a morte, embora não tenha fornecido maiores informações sobre a identidade da vítima ou o modo como ocorreu o incidente. Orellana apenas indicou que a morte ocorreu "em um bairro, durante uma manifestação de seguidores do presidente (Manuel) Zelaya, que arrombaram um supermercado para roubar". O policial afirmou também que algumas pessoas foram presas durante o conflito, mas ele não soube informar o número. Toque de recolher - Ontem, o governo interino de Honduras anunciou a suspensão temporária do toque de recolher imposto no país inteiro desde a última segunda-feira, quando Zelaya voltou a Tegucigalpa. Em um anúncio transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão, o governo do presidente interino, Roberto Micheletti, anunciou que o toque de recolher estaria suspenso ontem das 10h às 17h, no horário local). Segundo o governo, a medida teve o objetivo de permitir que a população compresse alimentos em supermercados e fosse até agências bancárias. De acordo com o jornal hondurenho El Heraldo, logo depois do anúncio, muitos habitantes da capital Tegucigalpa saíram às ruas e foram registradas filas em supermercados, postos de gasolina e bancos. Segundo a imprensa hondurenha, apesar do toque de recolher, foram registrados saques em supermercados, lojas e agências bancárias na última madrugada. Lula - Em Nova York, durante a abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo pela volta de Zelaya à Presidência do país e pediu atenção à segurança da embaixada brasileira em Tegucigalpa, que continua cercada por forças hondurenhas e onde está abrigado o presidente deposto de Honduras. "A comunidade internacional exige que Zelaya reassuma imediatamente a Presidência de seu país e deve estar atenta à inviolabilidade da missão diplomática brasileira na capital hondurenha", disse Lula, sendo em seguida bastante aplaudido pelos líderes presentes na sede da ONU. Em entrevista ontem, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, também afirmou que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, não vai usar a embaixada brasileira na capital hondurenha como instrumento político para convocar simpatizantes. "Isso não vai acontecer", disse em Nova York. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disse que o governo brasileiro conta com o respaldo de toda a comunidade internacional na sua atuação na crise política de Honduras. "O governo do Brasil está atuando bem e atuou com o respaldo de toda - toda com letras maiúsculas - a comunidade internacional", disse. Diálogo - Na noite da última terça-feira, o governo de Michelleti afirmou, por meio de um comunicado, que está disposto a dialogar com Zelaya, desde que ele se comprometa com a realização de eleições marcadas para o fim de novembro. Micheletti afirmou, entretanto, que a volta de Zelaya ao poder - como querem os negociadores internacionais e o Brasil - não é um objetivo negociável. Pouco depois, em entrevista à rádio Globo de Honduras, Zelaya respondeu afirmando que a oferta de diálogo de Micheletti é uma "manipulação" e afirmou que o líder do governo interino "não tem vontade de solucionar a crise política do país". "Eles devem deixar de manipular a opinião pública, eu vim aqui para que o diálogo seja direto", disse Zelaya, que ainda afirmou que não há "igualdade para todos" nas eleições de 29 de novembro. Na última terça-feira, o governo interino de Honduras solicitou à embaixada do Brasil que defina o status político de Manuel Zelaya como refugiado político ou o entregue à justiça hondurenha. Micheletti também acusou Zelaya de incitar a violência entre a população de Honduras. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.