MUNDO
Sexta-feira, 14 de Março de 2008, 20h:41
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TIBETE
China confirma intervenção em protestos
Policiais teriam sido obrigados a usar gás lacrimogênio e disparar tiros para dispersar manifestantes em Lhasa. Situação continua tensa
Autoridades policiais da China confirmaram ontem que usaram gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes da capital tibetana, Lhasa, segundo informações da agência France Presse. Ontem, duas pessoas foram mortas nos protestos entre tibetanos e policiais chineses, segundo a rádio Free Asia. "Os policiais receberam ordem de não utilizar a força", esclareceu a agência oficial Nova China, citando fontes anônimas. "Sem opção, os policiais se viram obrigados a utilizarem uma quantidade limitada de gás lacrimogêneo e disparar tiros de advertência para dispersar a multidão", acrescentou. Ontem, manifestantes pró-independência queimaram lojas e carros em Lhasa. Os protestos começaram na segunda-feira, 10, dia que marcou o 49º aniversário de um levante tibetano contra a dominação chinesa. Os manifestantes, na maioria monges budistas, são contra a dominação do governo chinês, que anexou o Tibete ao seu território na década de 50. A China acusa simpatizantes do líder espiritual do Tibete, dalai-lama, atualmente exilado, de "arquitetar" o levante, que mancha a imagem do país cuidadosamente construída de prosperidade e harmonia nacionais, às vésperas dos Jogos Olímpicos de Pequim. A Embaixada dos Estados Unidos em Pequim, citando relatos de cidadãos norte-americanos, informou que muitos tiros foram ouvidos na capital tibetana, onde a situação se agravou após as novas manifestações. "A embaixada registrou relatos diretos de cidadãos norte-americanos na cidade que falam de tiros e outros atos de violência", informou a embaixada americana em uma mensagem aos cidadãos dos Estados Unidos. O dalai-lama, líder espiritual dos budistas tibetanos, pediu à China, em um comunicado, que deixe de usar a força para reprimir as manifestações e se mostrou "profundamente preocupado" com a situação vivida nos últimos dias no Tibete. "Estou profundamente preocupado com a situação no Tibete, depois dos protestos pacíficos em muitas partes, incluindo Lhasa, nos últimos dias", afirmou o prêmio Nobel da Paz, em seu exílio.