NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Domingo, 14 de Junho de 2026

MUNDO
Sábado, 30 de Janeiro de 2010, 01h:14

DEPOIMENTO

Blair justifica apoio à invasão no Iraque

Olhando para trás, ex-premiê revelou que atuou de boa fé e teve convicção que Saddam tinha armas de destruição em massa e estava disposto a usá-las

O ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair questionou ontem como seria o mundo se Saddam Hussein continuasse no poder em Bagdá e sugeriu que uma operação militar como a desenvolvida para derrubar aquele regime há oito anos poderia ser conveniente agora contra o governo do Irã. O ex-primeiro-ministro inglês insistiu que os atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA mudaram dramaticamente sua visão da ameaça representada pelo líder iraquiano. Blair compareceu por mais de seis horas diante da comissão independente que investiga a Guerra do Iraque, em um depoimento no qual não houve espaço para a autocrítica nem para o arrependimento e na qual o ex-líder trabalhista optou por aplicar a estratégia que "a melhor defesa é o melhor ataque". O ex-primeiro-ministro respondeu às perguntas, mas também as fez para instar à opinião pública a questionar que estaria ocorrendo hoje se a coalizão dirigida pelos Estados Unidos, e apoiada pelo Reino Unido, não tivesse invadido Iraque em 2003. "A pergunta não é tanto sobre março de 2003, mas sobre 2010", afirmou o ex-líder britânico, que argumentou que "Saddam ia continuar sendo uma ameaça. Era alguém que desafiava a ONU há 10 anos e não havia razões para pensar que fosse mudar". Blair afirmou que o ex-presidente iraquiano tinha a intenção de voltar a formar um arsenal de destruição em massa e existia o risco que o utilizasse, como o fez contra os curdos, ou que entregasse essas armas a grupos terroristas, por isso que foi preciso usar a força. "Se tivéssemos o deixado no poder e tivéssemos que enfrentá-lo hoje as condições seriam mais difíceis e assim como a obtenção de apoio. Se me pergunta se estamos mais seguros e melhor sem Saddam e seus filhos, acredito que estamos", indicou. Mas o ex-primeiro-ministro foi além e considerou que os atuais responsáveis políticos ocidentais deveriam ter a mesma preocupação ou maior ainda com relação ao Irã que desenvolve um programa de armamento nuclear. O hoje enviado especial do Quarteto para o Oriente Médio manifestou que as políticas do Irã produzem um temor maior que as geradas no Iraque de Saddam Hussein, diante do risco que Teerã forneça armas de destruição em massa a grupos terroristas. É por isso que os líderes mundiais enfrentam hoje o mesmo tipo de decisões sobre os perigos que representam os regimes opressores.

Edição EDIÇÃO 16962




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL