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MUNDO
Segunda-feira, 12 de Abril de 2010, 20h:26

DIPLOMACIA

Adesão chinesa para sanções ao Irã pode isolar o Brasil

A posição brasileira de rejeitar novas sanções contra o Irã poderá ser posta em xeque caso a China decida apoiar as medidas. "Se a China concordar com novas sanções, isso vai mostrar que as grandes potências mundiais estão preocupadas com a questão nuclear do Irã", diz Mauricio Cárdenas, diretor da Iniciativa para a América Latina do Instituto Brookings, de Washington. "E ignorar esse fato não é a direção correta a ser tomada por um país que deseja ser uma potência global", afirma. A questão nuclear iraniana deverá estar no centro dos debates a partir de hoje, quando representantes de 47 países, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participarão da Cúpula sobre Segurança Nuclear organizada pelo governo americano em Washington. Até o momento, Brasil e China têm adotado discursos semelhantes sobre o assunto, com manifestações contrárias à imposição de uma quarta rodada de sanções da ONU (Organização das Nações Unidas) contra o Irã e com a defesa do diálogo como melhor caminho. Nas últimas semanas, porém, Pequim vem dando sinais de que poderia mudar sua posição. O governo chinês já aceitou "discutir" a questão das sanções e, na última quinta-feira, enviou um representante a uma reunião entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha para debater o tema. "O Brasil talvez tenha de acabar apoiando as sanções se a China assim o fizer", diz Alireza Nader, especialista em Irã da Rand Corporation. ADVERTÊNCIA O governo brasileiro advertiu seus empresários sobre possíveis sanções administrativas por parte dos Estados Unidos, caso realizem negócios com o Irã - país no centro de uma disputa com Washington por seu programa nuclear. O alerta foi feito ontem, quando uma missão de 90 empresários do país, chefiada pelo ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, desembarca em Teerã, capital iraniana. "Os Estados Unidos têm uma lei bastante complexa para o comércio externo e, no caso do Irã, há uma série de restrições", afirmou Welber Barral, secretário de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, ao jornal econômico "Valor".

Edição EDIÇÃO 16962




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