Em resposta aos seus adversários, a presidente Dilma Rousseff disse ontem que acabar com o Mercosul é um "tiro no pé" e que não faz política externa com "ideologia". Ao defender a postura do governo em priorizar a América Latina e o Mercosul em suas negociações internacionais, Dilma disse que os mercados são responsáveis por 80% das exportações do Brasil. "Acabar com o Mercosul é dar com um tiro no pé. Nós somos a maior economia da América Latina. Temos que perceber o tamanho desse mercado", afirmou a presidente. Dilma disse que suas propostas como candidata não "viram as costas" para a América Latina, enquanto outros só "enxergam" mercados como a Europa. "Ninguém vai fazer política externa com base em ideologia. Eu não posso sentar nos Estados Unidos e falar só de Guantanamo. Também não posso só falar com a China de Direitos Humanos". A presidente afirmou que política externa não se faz com "principismo" e que reduzir o papel da América Latina é uma "temeridade" para o Brasil, assim como o dos Brics. "Quem não entende, não participa e não fez, acha que é fácil", ironizou. Adversário de Dilma, Aécio Neves (PSDB) acusa a política externa de Dilma de ser ideológica e prometeu fortalecer o Mercosul, embora critique a prioridade do governo ao bloco econômico. O candidato do PSDB também defende que o Brasil não se concentre nos acordos bilaterais com o Mercosul e a União Europeia para ampliar o seu universo de negociações. A mesma postura do tucano é defendida no programa de governo de Marina Silva, candidata do PSB à Presidência, que é favorável à ampliação do número de países para o Brasil firmar negociações. Dilma disse que a prioridade concedida à União Europeia e à América Latina não minimiza o "peso" dos demais acordos comerciais. "Diminuir o papel da América Latina é uma temeridade, diminuir o papel dos Brics é um descompromisso com a história, desconsiderar EUA e União Europeia também", disse. BANCOS Em entrevista no Palácio da Alvorada, Dilma ainda rebateu as críticas de Marina em relação à política de subsídios de bancos públicos em seu governo. A presidente disse estar "extremamente preocupada" com a "forma" como estão tratando a questão dos bancos públicos e disse que a política de crédito adotada pelos governos do PT impediram ao país sofrer efeitos da crise econômica internacional. "Estou extremamente preocupada com a forma como estão tratando a questão dos bancos públicos. Logo depois do começo da crise, naquela ocasião, tanto o BNDES quanto o Banco do Brasil, quanto a Caixa Econômica Federal foram essenciais para que o país não sofresse com a crise. Foram eles que garantiram crédito", disse.