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Sábado, 08 de Outubro de 2011, 11h:45

EM CUIABÁ

Vanguart lança CD aqui

Banda cuiabana radicada em São Paulo há vários anos vem à cidade lançar CD “Boa Parte de Mim Vai Embora”

Martha Baptista
Da Reportagem
Uma volta triunfal a Cuiabá – é o que promete a rapaziada de uma banda que nasceu na capital mato-grossense e está conquistando o resto do país, a partir de sua nova base, São Paulo. Na próxima terça-feira, véspera do feriado, a Vanguart vai lançar seu segundo CD, “Boa Parte de Mim Vai Embora”, no Club Garage. Nessa apresentação, Hélio Flanders (vocal, violão e trompete), Reginaldo Lincoln (vocal e baixo), David Dafré (guitarra), Douglas Godoy (bateria) e Luiz Lazzaroto (teclado) vão contar com o violino de Fernanda Kostchak e projeções de vídeo. A noite terá a participação da banda Strauss e do DJ Rodrigo Farinha a.k.a Faraz, que fará um set especial de rock, pop e indie dance. O lançamento do novo álbum acontece junto à segunda edição do ‘Amigo do Garage’, projeto de cunho beneficente que vai destinar parte da renda à Fundação Instituto Jaiminho. A entrada é permitida apenas para maiores de 18 anos. SEPARAÇÕES E RECOMEÇOS O lançamento de “Boa Parte de Mim Vai Embora” (Vigilante/Deck) acontece na esteira do sucesso do Vanguart fora das divisas de Mato Grosso. A banda mato-grossense abriu o show da inglesa Coldplay no ano passado e o vocalista Hélio Flanders foi considerado “melhor cantor de sua geração” pelo jornal Folha de SP. De acordo com a assessoria do grupo, as letras do novo trabalho são fortes, tratam de dores da alma, falam de separações e recomeços. Na opinião de Flanders, trata-se de um álbum “mais maduro e mais forte”. Segundo ele, “por conta das canções serem em português e falarem de sentimentos, as pessoas tem se identificado muito com as letras”. As músicas, por vezes, dão certa leveza ao que está sendo cantado. Os arranjos transportam o ouvinte de uma paisagem à outra em poucos segundos. O vocalista Flanders, acrescenta o texto da assessoria da banda, “firma a personalidade da banda, com registros vocais que passeiam do confortável ambiente dylanesco às paisagens melodramáticas de grandes crooners da torch song como Cida Moreira, Cauby Peixoto e Rufus Wainright, impondo-o como um dos cantores de frente da nossa música pop contemporânea”. Duas novidades do CD são o trompete de Hélio Flanders e o violino de Fernanda Kostchak. O repertório do show no Club Garage terá “Desmentindo a Despedida”, “Nessa Cidade”, “Onde Você Parou”, “Amigo”, “Depressa”, “Se Tiver que Ser na Bala Vai” e “O que a Gente Podia Ser”, entre outras canções. Além das novas, a banda interpreta músicas do CD “Vanguart” (2007) e também sua versão para “O Mar”, de Dorival Caymmi. LEITOR VORAZ Essa inusitada versão de um clássico do compositor baiano já falecido foi, aliás, um dos tópicos comentados por Flanders, numa entrevista feita por email. Ele conta que “O Mar” surgiu como uma brincadeira nos ensaios. “Comecei a tocar a introdução e a banda veio atrás, quando nos demos conta, tínhamos uma grande versão do mestre baiano. Caymmi já havia sido gravado de diversas formas, mas foi a primeira vez (em nosso DVD Multishow Registro 2009) que ganhou uma roupagem rock and roll western. Recebemos muito elogios da crítica e do público por essa versão e o mais importante, da própria família Caymmi”. Hélio revelou-se um grande leitor e fã do poeta norte-americano Walt Whitman (1819-1892), considerado por muitos como o criador do verso livre. “A leitura é uma das razões por eu ser um letrista. Desde pequeno tinha a meta de ‘descobrir’ escritores. Foi assim com Kafka, Baudelaire, Camus... Nosso novo disco “Boa Parte de Mim Vai Embora” sofreu muito mais influência da literatura do que da música. Se não fosse pelos versos de Jorge Luis Borges e, especialmente, Walt Whitman, esse álbum não teria nascido. Whitman me tirou da cama, me fez reaprender o amor pelas pequenas coisas, a voltar o olhar para os que eu amo e para a natureza. A canção ‘Amigo’ é especialmente inspirada em Whitman.” Dono de um timbre muito pessoal de voz, Hélio conta que sempre quis ser cantor, mas sentia que lhe faltava “técnica ou estrada”. “Acabei estudando minha própria maneira de cantar viajando o país mesmo, cantando com o Vanguart. Hoje posso me considerar um cantor, mas ainda assim um cantor calcado em uma maneira própria de cantar, sem me preocupar com a técnica ou ter uma voz perfeita. Esse último álbum foi registrado totalmente ao vivo, então existem algumas falhas ou engasgadas na voz bem sutis, mas deixei assim na gravação porque queria que o registro fosse fiel... Hoje em dia é muito fácil gravar um disco e cantar lindamente. Existem programas de computador que deixam sua voz cristalina, sem desafinadas ou sem nuances, eu busquei exatamente o contrário. Uma voz humana. Pra isso precisei e preciso me cuidar bastante, como falar baixo ou falar pouco em dias de show, fazer aquecimento e beber pouco. Com o tempo você acaba sabendo o seu limite também. Para minha voz estar boa são três coisas: falar pouco, dormir bem e não exagerar na bebida. Quando estamos em turnê costumo ir direto do show de volta pro hotel, assim me livro das tentações: sair com os amigos, beber cerveja e ficar falando a madrugada inteira, coisas que eu adoro, mas que agora preciso evitar quando tenho compromissos com o Vanguart”. Flanders disse que a banda está emocionada de voltar à sua “casa, com um novo filho nos braços”. “Só somos o que somos hoje, do ponto de vista artístico e pessoal, pela influência de Cuiabá, sua história e seus artistas. Não sei até que ponto seríamos Vanguart sem a influência da arte de Adir Sodré, da música de Ebinho Cardoso e Macaco Bong, dos livros de Silva Freire e Danilo Fochesatto. Os tempos, a arte, a música, tudo se funde na criação dessa nova cara de Cuiabá, uma cidade tão rica e tão antiga, formando novos pensadores. Tudo isso me vem à cabeça quando penso na cidade. Esse show vai ser carregado de nostalgia e de “novos tempos”. SEM MESMICE O DJ Rodrigo Farinha a.k.a Faraz disse que vai fazer uma apresentação mais direcionada para o rock/pop e a indie dance - que é um estilo de musica eletrônica com elementos do rock. Segundo ele, existem muitas bandas indie que fazem sucesso nos dias de hoje, como Midnight Juggernauts, Two Doors Cinema Club, Copacabana Club, The Tings e Cansei de ser Sexy, entre outras. “Quero fazer uma mistura desses sons que estão rolando agora, com bandas inglesas dos anos 80 e 90, alguma coisa dos Estados Unidos e bandas europeias que não cantam em inglês”. O roteiro inclui também algumas músicas brasileiras que fazem mais sucesso na Europa do que em seu próprio país. “Tenho pesquisado muitas coisas pra tocar em momentos especiais como este, no qual o público é mais aberto pra ouvir algo diferente. Essa será uma noite especial, uma injeção de novas idéias musicais que fogem desta mesmice que nos cerca por todos os lados”, promete o DJ, que também é jornalista. SERVIÇO O QUE: Lançamento do CD “Boa Parte de Mim Vai Embora” do grupo Vanguart, com participação da banda Strauss e do DJ Rodrigo Farinha a.k.a Faraz ONDE: Clube Garage (Av. Beira Rio, 4435 Av. Beira Rio, 4435 QUANDO: terça-feira, dia 11, a partir de 23h QUANTO: Os convites custam 25 reais e podem ser adquiridos na Casa de Festas e Chilli Beans. MAIS INFORMAÇÕES: 65 3634 7611 begin_of_the_skype_highlighting 65 3634 7611 end_of_the_skype_highlighting e pelo site www.clubgarage.com.br

Edição EDIÇÃO 16967




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