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Cuiabá MT, Sábado, 20 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Terça-feira, 30 de Março de 2010, 20h:17

CONTEMPORÂNEA

Uma Camerata que vai incomodar o público

Idealizado por Silvio Ferraz e Sergio Kafejian, o conjunto é subvencionado pelo governo do Estado de São Paulo por meio da organização Santa Marcelina Cultura

João Luiz Sampaio
Da Reportagem
Ser uma orquestra dedicada exclusivamente à produção contemporânea, com a proposta de "incomodar" o público - um incômodo saudável, que propõe diálogos musicais e investiga o que de mais novo há na composição brasileira e internacional. É com esse objetivo que sobe hoje ao palco do Sesc Pinheiros para sua estreia a Camerata Aberta. Idealizado por Silvio Ferraz e Sergio Kafejian, o conjunto é subvencionado pelo governo do Estado por meio da Santa Marcelina Cultura, organização social responsável pela gestão das escolas de música estaduais e de projetos como o Festival de Inverno de Campos do Jordão. Kafejian, vale lembrar, já passou uma breve temporada em Cuiabá compartilhando seus conhecimentos e viajando com a Orquestra de Mato Grosso pelo interior do Estado. As origens da Camerata, a propósito, nos levam de volta à edição do ano passado do evento, quando foi formada uma orquestra para interpretar obras contemporâneas. Na ocasião, ela foi justamente comandada pelo maestro francês Guillaume Bourgogne, que estará à frente da Camerata em seus primeiros três meses. Bourgogne fala de aventuras sonoras, de "música inquieta", de uma "aventura por novos territórios do som". Prova da proposta é o repertório de amanhã. A primeira peça é "Talea", do francês Gérard Grisey, representante do que se conhece como "música espectral", em que a composição, ajudada por sistema eletrônicos, é guiada pelos espectros do som. "Cismas", da brasileira Marisa Rezende, explora as ressonâncias do piano, recriando "devaneios, sonhos, inquietações". Já em "Araés", a inspiração de Roberto Victorio é o Planalto Central brasileiro, que ele recria musicalmente a partir de textos poéticos de autores da região. Do compositor e arquiteto grego Iannis Xenakis, a escolhida foi "Thallein", que reúne algumas das principais tendências do compositor ao longo de sua carreira. Em meio a essas obras, aparece ainda "A Arte da Fuga", monumento da música de Bach, tão distante do público quanto a produção de novos compositores. A Camerata é composta por 16 músicos, que formam um dream team de instrumentistas brasileiros: a flautista Cassia Carrascoza, o oboísta Alexandre Ficarelli, o clarinetista Luis Afonso ‘Montanha", o fagotista Fábio Cury, o trompista Nikolav Genov, o trompetista Adenilson Telles, o trombonista Carlos Freitas, os percussionistas Charles Augusto e Herivelto Brandino, os pianistas Horácio Gouveia e Lídia Bazarian, os violinistas Elissa Cassini e Martin Tuksa, o violista Peter Pas, o violoncelista Dimos Goudaroulis e o contrabaixista Pedro Gadelha.

Edição EDIÇÃO 16966




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