Com uma atuação excelente Arta Dobroshi interpreta Lorna em um filme que tinha tudo para ser melhor Vencedor do Leão de Ouro, prêmio máximo do Festival de Veneza, Em Busca da Vida (Sanxia Haoren, China, 2006/Califórnia) conta uma história triste e silenciosa sobre os efeitos do progresso na China. No caso, a polêmica construção da monumental barragem das Três Gargantas, em Fengjie, projeto de engenharia controverso por seu impacto humano e ambiental e notável pela corrupção. Mais de um milhão de pessoas tiveram suas casas inundadas pelo rio Yangtsé ou foram despejadas para a demolição da cidade. Mas a construção da nova vizinhança ainda não está concluída. Há coisas a serem salvas, e outras para serem deixadas para trás. A uma delas, ainda em demolição, chega um trabalhador de mina de carvão (Han Sanming) disposto a reencontrar a ex-mulher e conhecer sua filha. Objetivo semelhante tem uma jovem enfermeira (Shen Hong) que procura o marido sumido há dois anos. O filme acompanha essas pessoas deslocadas no mundo, que perderam as referências, sejam elas a cidade que deixou de existir ou uma relação que não se fechou, e vagueiam pela região em busca de novos destinos. É uma longa e melancólica jornada de reencontro, em que seres desesperançados se entregam à contemplação de uma realidade sombria. O diretor Jia Zhang-ke (Plataforma, O Mundo), um dos mais conceituados cineastas contemporâneo, se vale do cenário de rápidas transformações sociais e econômicas em seu país para representá-lo neste drama de caráter humano e admirável rigor artístico. Para acompanhar os delicados desdobramentos da trama, o espectador deve se munir da mesma paciência dos dois personagens em busca de seu passado (J.C.)