ILUSTRADO
Segunda-feira, 08 de Junho de 2015, 21h:10
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EVENTO
Um livro de jornalismo militante
Memória e Libertação, de Arcelina Helena Públio Dias, será lançado no Salão Nobre do Palácio da Instrução, na quinta
ENOCK CAVALCANTI
Da Editoria
Na quinta-feira, 11 de junho, a luta contra a violência de fazendeiros e grileiros e pelo direito à terra, da qual o bispo Dom Pedro Casaldáliga participa ativamente, ao lado do povo pobre da região do Araguaia, em Mato Grosso, estará no centro da solenidade de lançamento do livro "Memória e Libertação", da jornalista Arcelina Helena Públio Dias, que acontecerá no Salão Nobre do Palácio da Instrução, em Cuiabá. O comparecimento de D. Pedro é improvável, dada sua idade avançada e sua luta contra o Mal de Parkinson. A expectativa fica por conta do lançamento ser prestigiado por outro Pedro, o atual governador de Mato Grosso, Pedro Taques, ainda ligado ao PDT, partido de Leonel Brizola que teve, em vida, estreita ligação com Casaldáliga. Arcelina é ela mesma uma raridade, em meio à nossa imprensa de colarinho branco. Jornalista-militante, tem se dedicado a um projeto certamente insólito: ela mergulhou em uma peregrinação jornalística de 500 dias entre pobres e excluídos dos cinco continentes com o objetivo de escrever cinco livros. "Memória e Libertação", a obra sobre a luta no Araguaia, é o quarto título dessa série. Para reforçar o caráter militante da obra, o livro é ilustrado pelos murais coloridos pintados pelo artista plástico espanhol Cerezo Barredo - também padre e espanhol, principal muralista das lutas dos povos da América Latina, na segunda metade do século XX - que mora em Salamanca, na Espanha, onde Arcelina foi entrevistá-lo. Pintados entre os anos de 1977 e 2001, os painéis estão localizados nas igrejas de sete dos municípios da Prelazia de São Félix de Araguaia (São Félix, Luciara, Santa Terezinha, Ribeirão Cascalheira, Vila Rica, São José do Xingu e Querência). Em pequenas e modestas igrejas com poucos habitantes, majoritariamente pobres, Cerezo Barredo materializou nos murais o rosto dos povos e das culturas, suas lutas e suas vidas movidas pela fé no Deus dos pobres, observa Arcelina. Os 12 Murais da Libertação foram tombados em 2004 pela Secretaria de Cultura do Estado de Mato Grosso com o objetivo de preservar, não apenas as obras de arte, mas também a história de um povo. Réplicas destes murais farão parte de exposição que será aberta durante o lançamento do livro. Os murais, que foram fotografados e ampliados, estarão acompanhados de poesias do bispo emérito da Prelazia, Dom Pedro Casaldáliga. Arcelina Helena deu início à sua peregrinação-militante em 1999. O primeiro livro, intitulado Sinais de Esperança, mostra a realidade dos excluídos das três Américas os sem teto dos Estados Unidos, os meninos de rua da Colômbia e os desempregados do México, que se arriscavam na travessia do Rio Grande para chegar aos Estados Unidos, entre outros. O segundo livro, Perdão, África, Perdão!, é o resultado de uma peregrinação ao continente africano e ao Oriente próximo. Lá convivi com os pobres, os sem paz, os sem pátria, condenados a morrer de fome ou de Aids, entre outras doenças, revela a autora. Em ambas as obras, Arcelina fala ainda sobre o acolhimento que teve dos grupos que ajudavam as comunidades de excluídos. Contei com a ajuda destas pessoas para fazer a abordagem do público-alvo dos meus relatos, revela. Em 2006, a escritora foi para a Europa peregrinar pelos mosteiros das diferentes igrejas e religiões, o que resultou no livro Além do Silêncio. Entre monges e monjas que optaram pela auto-exclusão do mundo, dedicando-se às orações, meditações e práticas de uma vida simples, longe do consumismo e dos agitos do nosso século, aprendi soluções simples para os problemas que criamos, observa Arcelina. Jornalista desde 1968, Arcelina Helena Públio Dias foi redatora no Jornal do Brasil e no Estado de S. Paulo. Dirigiu o Jornal do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Foi assessora de imprensa no Senado Federal, no Governo de São Paulo e coordenadora de Comunicação do Ministério do Trabalho. Foi também professora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB).