Nos últimos anos vem crescendo no Brasil o número de filmes produzidos por canais de TV. Desde 1998, com o surgimento da Globo Filmes braço da Rede Globo para cinema -, a aproximação entre a televisão e a sétima arte tem se fortificado. A empresa já participou da produção de 110 longas nacionais, de documentários como Cartola (2007) a blockbusters como Tropa de elite 2? (2010). O que vem mudando no cinema brasileiro, porém, é que outras emissoras têm seguido o exemplo, investindo sistematicamente em filmes e dando uma nova cara ao mercado. É uma maneira de estreitar a relação com o cinema e de trazer um conteúdo para o canal com exclusividade. Quando um filme roda festivais, ele já chega no canal badalado, há um interesse formado, afirma André Saddy, gerente de marketing e projetos do Canal Brasil. Para investir num longa-metragem, a emissora procura obras que tenham relação com seu perfil de filmes, justamente pensando em incluí-lo em sua grade após a exibição nos cinemas. A mesma lógica vale para o Telecine, mas com uma busca em direção oposta. A gente está à procura de blockbusters, com o objetivo de garantir conteúdo para o futuro afirma Sovero Pereira, gerente de marketing do Telecine, canal que já entrou em coprodução com 15 filmes brasileiros, como Os Normais 2? (2009) e O palhaço (2011), e já apoiou o lançamento de 160 longas nacionais e internacionais. No exterior, os recursos de emissoras como a HBO, a inglesa BBC ou a francesa Canal+ têm sido essenciais para a realização de filmes internacionais de vários gêneros e de repercussão nos últimos dez anos. Para o cinema, além da verba de produção, os contratos oferecem espaço de publicidade na divulgação de um filme. Para a TV, a parceria garante de antemão exclusividade para exibir a obra patrocinada e também proporciona um marketing ao associar a marca de um canal a um filme.