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Cuiabá MT, Domingo, 14 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 12 de Junho de 2010, 15h:54

CRôNICA

Tudo tem solução

Jê Fernandes
Especial para o Diário de Cuiabá
Dias desses encontro com um velho amigo, o Sapinho, já com o corpo um pouco debilitado e chamuscado pelos choques do tempo. Em tempo passado era um verdadeiro artista no modo de comunicar com as pessoas. Tinha uma habilidade verbal e corporal para expressar seus sentimentos de um modo geral, principalmente, depois de algumas biritas. Mas, não era de se embriagar. Gostava de ficar no meio tom. Nem tão são, nem tão tonto. De início, à primeira vista, não identifiquei o Sapinho, mas ao aprochegar mais dele, aí sim. Era ele mesmo. E ele foi falando: “Querido Salinho - como eu era chamado em tempo de juventude - quanto tempo a gente não se vê. Não lhe vejo, mas em compensação leio você, quando escreve aos domingos, no DC. Mas tenho uma critica a lhe fazer. Você não escreve mais crônica como antes, no seu verdadeiro sentido. E o psiquiatra que você ficou de arrumar para mim? Não adianta mais, já estou louco. Louco de jogar pedra.” Você tem razão, velho amigo Sapinho. Tenho desviado da crônica, como prosa curta, reflexão cotidiana de maneira casual e impressionista. Isso me faz lembrar das crônicas do Ivan Lessa, do Carlos Heitor Cony e João Paulo Cuenca. Quem sabe seja falta de sensibilidade, de amor, carinho. De ver o mundo e as pessoas com mais sentimento de companheirismo. É, ultimamente, tenho estado mais ligado ao meio político, onde a amizade e o relacionamento são fatores ligados aos interesses de cada um. E tudo isso faz com que a gente sempre esteja prevenido contra o seu semelhante que está ao lado. Infelizmente! Veja você, caro Sapinho, sem querer falar mal dos políticos, que são gente como nós, com os mesmos valores positivos e negativos, mas alguns deles, nem todos, só usam os valores negativos. É só você dar uma chegadinha na Assembléia, na Câmara, nos corredores dos governos e, você sentirá isso na carne. Mas, deixa isso pra lá. As matas continuam sob ameaças de inocentes fazendeiros. Mas, mudando de conversa. O psiquiatra que eu ia arrumar para conversar com você, morreu! Estou sem um amigo especializado nessa área. E nem sei o que posso fazer pelo amigo. Tenta uma grande paixão. Quem sabe tudo se arruma ou então tudo vai por água abaixo. Há momentos na vida da gente que não se encontra a saída. Não, não é isso não. Dá um tempo. Pare um pouco e siga novamente. E tudo se arrumará. Tudo neste mundo tem solução. Até a morte é uma solução quando ele vem na hora e tempo certo. Então fica assim... A gente conversa depois. Num outro encontro. *Jê Fernandes é jornalista, radialista, poeta, cronista, contista, conversador fiado nas horas vagas e, o que mais? Ah! Doméstico. E colabora com o DC Ilustrado (E-mail: [email protected])

Edição EDIÇÃO 16962




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