Nem sempre o passado é passado a limpo como deveria. O passado faz parte de uma página virada onde está escrito o óbvio que ninguém consegue soletrar. Lendo nas entrelinhas descobrimos que o passado é um engodo para engarrafar a memória. Quando se quer esquecer algo se liga no passado. O teatro da vida transforma o passado num baú do esquecimento. A velocidade do futuro é tão grande que sufoca o presente e remete o passado diretamente ao fundo do poço. Alguém se lembra do dia que a vaca malhada pariu? Pois, foi na data que a vaca foi pro brejo. Alguém disse que foi promessa de campanha. Estava presente fulano que contou pra beltrano e deu no que deu. Dentro dessa havia pessoas que ouviram o que não deveriam ouvir. Sei lá! A conversa vazou e pegou a turma toda de calça curta. Ou melhor, caçando coquinho. Na verdade tudo começou quando alguém contou o que sabia pra quem não devia. Gerou uma confusão infernal. Quem explicou a polêmica esqueceu de botar ordem na casa e se ferrou legal. Depois que se esparrama é difícil pá para ajuntar o lixo. Por isso é bom colocar uma pedra em cima e acabou o problema. Acontece que às vezes a pedra fura. Daí vira reportagem. Dentro da mídia essa transformação acaba com o trote dos calouros. Por isso quem promete não cumpre. O filme fica pela metade e o enredo se transforma numa comédia romântica cheia de capítulos mal acabados. Recapitulando: quem consegue entender o que acontece nos bastidores do poder? Desculpe, essa pergunta é antiga. Nem deveria ser colocada aqui sob o pretexto de causar impacto negativo em tudo que foi aqui relatado. Portanto, ela está atrasada. Questionar o passado não vai nos levar ao futuro. O que passou, passou. Não vamos ficar chorando pelo leite derramado. Houve um tempo que havia respeito humano e as pessoas eram felizes e não sabiam. Mas acabou como um rio que passou em nossa vida. Dá licença! Luís Gonçalves Publicitário e Escritor
[email protected]