ILUSTRADO
Sábado, 08 de Março de 2008, 14h:28
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RESPOSTAS
Tirando dúvidas dos leitores
Rodrigo Capella
Especial para o Diário de Cuiabá
Apesar de eu estar longe, em outro país, do outro lado do Oceano, e sem tempo para ler e-mails, continuam chegando uma intensa quantidade de mensagens, vindas de toda parte do Brasil. São dúvidas de autores iniciantes, desabafos de escritores veteranos e comentários sobre os meus últimos textos publicados neste prestigiado jornal. Sensibilizado com o teor das mensagens e com o desesperos dos internautas, optei por tirar mais algumas dúvidas. Escolhi mais três cartas. Vamos a elas: Felipe Kopp me enviou a seguinte mensagem: li um artigo seu tirando dúvidas de pessoas que lhe enviaram e-mails acerca de publicações de livros. Bom, já que o sr. deu corda vou abusar um pouquinho, se puder ajudar: para participar de um concurso de literatura em que devo enviar os originais, antes disso eu posso (devo) registrar a obra junto à biblioteca nacional para que os direitos autorais sejam meus ou posso (devo) mandá-la sem registrar já que os direitos autorais passarão para os promotores do concurso? Amigo Felipe, os direitos autorais da obra em questão serão sempre seus. Recomendo que você registre o material na Biblioteca Nacional. No site, há todas as informações: www.bn.br. Mas, vale ressaltar que você estará registrando a obra e não a idéia. No Brasil, não há registro de idéias. Portanto, se uma pessoa gostar do tema do seu texto, poderá desenvolver um similar e não receberá punição. Você citou algo importante: os concursos de literatura. Recomendo a todos os escritores amadores ou profissionais que participem dos concursos. Eles dão boa visibilidade e ajudam o escritor a se tornar mais conhecido e ainda ajudam o autor a repensar sobre a sua obra, acrescentando alguns elementos e tornando os próximos textos ainda melhor e mais atrativos. O segundo e-mail de hoje foi-me enviado por Regina Mércia, historiadora, que mora em Nova Olímpia (MT). Ela disse assim: Rodrigo, eu li a sua reportagem no Jornal de Cuiabá sobre ajudar as pessoas em como editar livros. Eu escrevo poemas e também para jornais, e gostaria de editar um livro com meus poemas, mas não sei qual caminho seguir, você disse que tem que apresentar um projeto para a editora, por favor dê-me o modelo, pois só monto projetos para escola. Espero ser atendida no pedido de auxilio, e agradeço. Amiga Regina, vamos ao modelo: primeiramente revise todas as suas poesias e elimine eventuais erros. As editoras, simplesmente, ignoram as poesias que têm erros. Depois, faça um prefácio ou convide um escritor para fazê-lo. Normalmente, a segunda opção é a mais valorizada. Em seguida, escreva uma carta de apresentação do projeto, colocando os principais objetivos do livro, o público que você pretende atingir e quais as propostas do texto. Faça um outro documento descrevendo a sua experiência profissional e grampeie junto com a carta de apresentação do livro. No seu currículo profissional, conte tudo nos mínimos detalhes: os projetos que você desenvolveu nas escolas, o que você já fez como historiadora e os outros projetos que você está planejando executar. A editora vai medir a quantidade de contatos que você tem pela quantidade de projetos executados. Quanto mais projetos fazemos, mais pessoas conhecemos e mais chance temos de vender livros. É uma equação simples! A terceira mensagem veio de Santa Catarina e foi assinada por Jucilei Leonel Paulino, instrutor de trânsito: Sou de Jaraguá do Sul e tenho uma participação no livro "Crônicas de Jaraguá", recente lançamento da "Desin Editora". Gostaria por gentileza que me enviasse um comentário seu sobre o que você acha de alguém estrear no lançamento de um livro sem a parceria de uma editora. É o que eu estou pensando pelo fato de não atrair a boa vontade deles... É isso! Sucesso!! e boas idéias ...valeu!!obrigado!! Amigo, cabe, inicialmente, um comentário: a participação em antologias, tais como a Crônicas de Jaraguá, é muito importante, pois ajuda o escritor a encontrar o seu próprio estilo e também a fazer amizades literárias, que, normalmente, trazem bons frutos: como a troca de informações, o convívio com escritores e uma maior visibilidade de sua obra. Bom, vamos agora tirar a sua dúvida: quando você quis dizer lançamento de um livro sem a parceria de uma editora, você quis dizer lançamento de forma independente? Se sim, vamos a alguns conselhos: alguns amigos escritores optaram por lançar livros dessa forma, pois eles ganhariam mais dinheiro. E isso realmente ocorreu: quando você paga a publicação, os livros ficam com você, e você ganha uma porcentagem maior com as vendas, já que, em uma publicação em parceria com as editoras, os autores ganham apenas 10% do preço de capa do livro. Mas, valem algumas observações: se você lança independente, você tem que distribuir os livros, tem que vendê-los, tem que divulgá-los, tem que fazer um monte de coisas. Eu, sinceramente, acho que não compensa. Eu prefiro lançar em parceria com uma editora, ganhar somente 10% preço de capa do livro e ter uma boa divulgação da obra, graças aos mecanismos utilizados pelas editoras. Uma boa divulgação do livro vai ajudar você a dar palestras, ser convidados para debates, dar aulas e participar de vários eventos. Você perde agora e ganha no futuro! (*) Rodrigo Capella é escritor e poeta. Autor de vários livros, entre eles Rir ou chorar e Transroca, o navio proibido, que está sendo adaptado para o cinema pelo diretor Ricardo Zimmer. Informações: www.rodrigocapella.com.br