NA HORA
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Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 26 de Abril de 2008, 14h:14

CRÔNICA

Tempo e Espaço

Luís Gonçalves
Especial para o Diário de Cuiabá
Lentamente caminhamos, aproximamos do horizonte. Uma simples linha negra no final do céu. Algo que nunca foi problema pra ninguém. Porém, nunca ajudou em nada. Um significativo apêndice que permaneceu fixo no imaginário humano. MaIs ou menos do que nunca. Na verdade o que representa tal crepúsculo? Apenas um sol alaranjado rebuscando o pico do morro? Realmente não dá pra fazer uma releitura estética. Então marchemos! Distanciamos de nossos muros de arrimos e seguimos ao encontro do inesperado amanhã. Não importa a penumbra do anoitecer. O melado silêncio da meia-noite. Apenas rompemos a madrugada e viramos dia. Com a luz clara os sonhos se dispersam e a dura realidade espanta a sorte traz a vertigem indigesta da rebelde consciência, ressoa a verdade da visão de longo alcance que ainda falta muito pra se chegar. Muitos passos hão de ir até que a noite chegue. Os caminhos sempre estarão lá desfraldados em retretas sinuosas largadas pelos prados às vezes varridos pelo vento forte de meado de agosto. As noites são frutos de recorrentes dias de rotina que descansam suas dores na fuga repentina e intermitente. Quando os passos se confundem com laços trôpegos e enseadas alagadas. Pilhas fracas e inúteis que já não acumulam mais... A noite é branda aos ouvidos e agressiva ao manejo. Lavra as encostas da moral com o cutelo do algoz. Pardas perdizes em vôo rasante. Todos os dias são mais um dia que despontam carregados de esperança e frustrações. São momentos angustiosos e fadigados. Palco da guerra submissa e voluntariosa que a paisagem urbana entoa como prece. Enquanto o nó da gravata se aperta o jogo de repetição, contínua e fatal se prolonga rifando as horas e saciando o indivíÍduo destino. Um notório período a ser descoberto, vencido e conquistado. Diante do olheiro mor ganhamos a íngreme ladeira em direção ao inusitado futuro. Passos, lentos e determinados pautados no mútuo silêncio da precaução. Aliviados pelas breves golfadas de ar expelidas após cada esforço em vão. Ou pelo pleno direito ao cansaço! Quase perfeito, são os passos. Movimentos sincronizados que nos impelem a seguir sempre cantando: “passinhos pra frente e passinhos pra trás!” Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado ([email protected])

Edição EDIÇÃO 16964




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Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
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