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Cuiabá MT, Sábado, 13 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 30 de Janeiro de 2010, 13h:54

SYNGENTA

Tempo de viola caipira

Prêmio nacional traz a Cuiabá virtuoses do instrumento, entre eles, dois antigos conhecidos do público mato-grossense, além do mestre Levi Ramiro

Claudio de Oliveira
Da Reportagem
Quando ouvimos falar prêmio Syngenta de viola parece que é algo já instituído há muitos anos na história. Com apenas seis anos de existência e uma reformulação na sua sistemática o Prêmio ou Festival de Viola Instrumental da Syngenta virou um Circuito e deixou de lado a sua característica concorrencial para atuar verdadeiramente no que importa: a divulgação deste instrumento maravilhoso chamado viola caipira. A viola não é brasileira. É de origem ibérica e foi introduzida no país pelos jesuítas e imigrantes portugueses por meio das danças, folias e outras manifestações populares e religiosas. O pesquisador Alceu Maynard de Araújo, estudioso da cultura popular brasileira e da viola, reproduziu em seus registros, histórias contadas por seu avô, tropeiro entre 1870 e 1918: “ele nunca vira seus peões e camaradas viajarem sem sua viola, quase sempre conduzida dentro de um saco, amarrada à garupa de seu animal vaqueano.” Do Pantanal ao Rio Grande do Sul, de Minas, São Paulo até as terras capixabas ou paranaenses, a viola, mais do que proporcionar momentos de lazer e descontração depois de um árduo dia de trabalho, se transformou em uma forma de expressão. Identifica e reproduz a vida do homem do campo. Esta cultura caipira ressoa na viola e encanta pela simplicidade. É como a sabedoria que dispensa a erudição ou cátedra e consegue ser profunda sem ser hermética. Os causos, as nuances que a viola alcança, todo o espírito que se arvora com o instrumento faz parte da nossa cultura. De uma porunga grande saem duas violas, muitas notas e sons que trilham causos, remetem ao cheiro de mato e de chão batido, ao homem do campo e à essência da cultura popular brasileira. Mestre na arte do “fazer”, do “tocar” e do “contar”, o artesão e violeiro Levi Ramiro sobe ao palco do Cine Teatro Cuiabá, como anfitrião, dando continuidade ao Circuito Syngenta de Viola Instrumental. Com ele, dois convidados ilustres e também mestres da viola: os matogrossenses, Daniel de Paula e João Ormond. Entre uma moda e outra, os causos e as histórias de pescador. O show acontece na sexta-feira, dia 05 de fevereiro, a partir das 20 horas e é gratuito. Os ingressos estarão disponíveis ao público na bilheteria do teatro, uma hora antes do show. Cuiabá abre a temporada 2010 do Circuito Syngenta de Viola Instrumental, que já passou no ano passado por onze cidades: Vitória (ES), Paulínia (SP), São Paulo (SP), Uberlândia (MG) Campo Grande (MS), Ribeirão Preto (SP), Piracicaba (SP), Londrina (PR), Toledo (PR), Sorriso (MT) e Passo Fundo (RS), sempre reunindo grandes nomes do gênero, a convite de Levi Ramiro. No Cine Teatro, Levi estará bem acompanhado: João Ormond - natural do Alto Paraguai, viveu mais de vinte anos em Cuiabá - e por Daniel de Paula, estudioso da viola de cocho pantaneira. Ormond aproveita para lançar seu ‘Pantanais’ cd instrumental. O trabalho de ambos revela um pouco da paisagem poético-musical do Mato Grosso. Aliás, ambos são “velhos” conhecidos da Syngenta, Daniel esteve em duas seleções 2004 e 2005 e João Ormond em 2004. (Com Assessoria) Serviço: O QUE: Circuito Syngenta de Viola Instrumental QUANDO: 05 de Fevereiro, 20h ONDE: Cine Teatro Cuiabá QUANTO: Grátis, retirado uma hora antes do show INFORMAÇÕES: 3624 5845

Edição EDIÇÃO 16962




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