ILUSTRADO
Sábado, 01 de Dezembro de 2007, 09h:29
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SONIA MARIA PIRES DE LIMA
Sublimando Sentimentos
Perceber a perfeição da natureza convidando ao aprimoramento do sentir. O coração não é apenas órgão que exerce as funções de impelir o sangue na irrigação geral do corpo. A referência poética, na maioria das vezes, trata-o como fonte da natureza dos sentimentos que o Espírito irradia. Assim, do estado da mente, das visões, das imagens que cria e desenvolve, do modo como discerne e ajuíza de tudo que vê, ouve, enfim, de tudo que cai sob o domínio da percepção, emite sua forma de sentir em ondas que buscam correspondência. Nesse processo constante, ininterrupto, o anseio pelo Belo encontra-se entre a prática imortal. Desenvolvimento moral, intelectual e estético fazem parte das necessidades evolutivas, uma vez que se constituem como aspectos inseparáveis da perfeição. O anseio pelo Belo conduzirá a criatura a uma proposta de auto-educação estética, onde, inicialmente, há que se desmistificar os conceitos de Arte. Arte não é apenas a produção específica da poesia, pintura, música, uma vez que: "a arte pura é a mais elevada contemplação espiritual por parte das criaturas. Significa a mais profunda exteriorização do ideal, a divina manifestação desse "mais além" que polariza as esperanças da alma". O artista verdadeiro é sempre o "médium" das belezas eternas e o seu trabalho, em todos os tempos, foi tanger as cordas mais vibráteis do sentimento humano, alçando-o da Terra para o Infinito e abrindo, em todos os caminhos, a ânsia dos corações para Deus, nas suas manifestações supremas de paz e de amor. Desse modo, o Espírito ao atingir a perfeição, produz incessantemente a beleza em gestos, palavras e pensamentos, que exprimem seu sentir onde, qualquer exteriorização é verdadeira, amorosa e bela. Assim foi Jesus. O Espírito perfeito é artista, porque tudo nele é harmonia, luz e criação ininterrupta no Bem. Há pois uma Beleza suprema que está em Deus, cuja essência ainda nos escapa, mas cujas manifestações podemos ver, e mais ainda, perceber o todo nos detalhes que nos escapam. Não se pode, pois, dissociar o Belo do Verdadeiro e do Bom. A criação artística está relacionada à expressão única de cada individualidade, mas quanto mais evoluída for, mais poderosa será sua arte. Trata-se de uma potencialidade que todos os homens desenvolverão, uma vez que o Belo é inseparável da perfeição. O desabrochar do gênio criador é tarefa para muitas existências, entretanto, o cuidado com a Educação estética pode despertar o Espírito desde já, habituando-o a perceber detalhes em meio à imensa obra de arte na Natureza, na qual estamos mergulhados. A arte é a ciência do Belo; por isso, a ciência do coração. Cultivá-la, ao lado do trabalho é elevar o campo moral da vida; é educar a mente; é desenvolver a inteligência, é, enfim, sublimar os sentimentos. Bibliografia: INCONTRI, Dora. A. Educação Segundo o Espiritismo XAVIER, Francisco C. O Consolador, pelo Espírito Emmanuel, F.C.X. "Em Torno do Mestre", pelo Espírito Vinícius, Pedro de Camargo KARDEC, Allan. Obras Póstumas KARDEC, Allan. Revista Espírita, 1860 Fonte: Verdade e Luz edição n.° 226 - Novembro de 2004