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Cuiabá MT, Sábado, 20 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Terça-feira, 27 de Maio de 2008, 20h:53

CINEMA

Sessões de montão

Longas, curtas e vídeos pra tudo quanto é gosto. O escurinho do cinema brasileiro vai que vai numa das salas de exibição de Cuiabá

Segue o 15° Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá com algumas das melhores produções nacionais do cinema. Isso é uma constatação diária e, para aqueles que insistem em torcer o nariz para o cinema brasileiro, o Festival de Cannes lhes deu o recado, com duas premiações para o nosso cinema: o prêmio Novo Olhar para o curta “Muro”, do pernambucano Tião, e Melhor Atriz para Sandra Corveloni, por sua participação no “Linha de Passe”. Os realizadores brasileiros, na verdade, têm nos feito pensar o Brasil e o mundo além de instigar a nossa imaginação e experimentar linguagens técnicas e estéticas inovadoras. Hoje, além das programações paralelas, mostras nos bairros, nas escolas, no hospital Julio Muller e debate no hotel Paiaguás, serão apresentadas as rotineiras duas sessões noturnas: uma às 18 horas e uma às 21 horas. A primeira sessão está programada para iniciar com a MCCO, ou seja, a Mostra Curta do Centro Oeste, que não faz parte das exibições competitivas. São três os curtas que podem ser apreciados: “Caramujo Flor” de Joel Pizzini(1988;21’); “Dois Tons” de Caetano Gottardi(2005;16’) e “Paralelos” de Ale Basso(2007;15’). Joel está na competitiva com o primoroso trabalho Anabazys, e este filme também tem a sua marca de qualidade. O curta é um itinerário da poesia de Manoel de Barros, através de uma colagem de fragmentos sonoros e visuais. O filme, entre outros prêmios, recebeu melhor direção e melhor fotografia no festival de Brasília de 88. No elenco Ney Matogrosso, Rubens Corrêa, Tetê Espínola, Aracy Balabanian e Almir Sater. O “Dois Tons” do Gottardi também é premiado; Menção Honrosa no Festival Internacional de Curtas de São Paulo 2005 e Melhor direção no Goiânia Mostra Curtas 2005. Com uma bela fotografia, mostra um garoto que mora numa região rural vivendo algumas descobertas, como o amor e a música. E nesta MCCO, não faltam prêmios, o “Paralelos”, de Basso, também foi agraciado com troféu (Festival do Ceará) Direção e Som, no ano passado. Aliás, o som direto é do grande Chico Bororo, pelo menos 25 filmes no Porta Curtas e uma história comprometida com o audiovisual brasileiro. O filme conta a angústia de Pedro que com o fim do trem de passageiros no interior do pantanal. A competição começa com “Cocais, a cidade reinventada”(SP;15’) que está na MCC. Cocais é um curta documentário poético, de Inês Cardoso, realizado junto com pacientes e funcionários de uma cidade manicômio no interior de São Paulo. Esta é a história de uma cidade que se reinventou através de um filme, ou a história de um filme que foi inventado por uma cidade. Na seqüência “O Grão”(2007;88’), de Petrus Cariry, que está na MCL(competitiva de Longa). Foi vencedor do “Prêmio de Melhor Filme” do Festival Internacional de Cinema de Viña del Mar em 2007. No filme, a velha Perpétua, sentindo a presença da morte, resolve preparar Zeca, o seu querido neto, para a separação que se aproxima, contando-lhe a história de um rei e uma rainha, muito ricos e poderosos, que perderam o único filho e que querem trazê-lo de volta à vida. A narrativa se passa no sertão, e a câmera mostra a aridez tão conhecida e tantas vezes retratada emoldurada por uma história de fábula. A segunda sessão principia-se com a MCVCM, competitiva de videoclipe mato-grossense com a “Madruga”(5’) com os DJs Rafael Fellini & Cleiton Araújo e direção de Northon Bertoldi & Cleiton Araújo. Na MCV, competitiva de vídeo, um fenômeno do Youtube com quase 280 mil exibições e pouco mais de seiscentos comentários: “Paradoxo da espera do ônibus”(RJ;4’) de Christian Caselli. Um vídeo em que nada acontece e os quadros se repetem insistentemente, segundo o próprio cineasta Caselli, que se disse espantado com tamanha popularidade em uma entrevista concedida no começo deste ano ao DC Ilustrado. Em seguida mais um vislumbre sobre a cinematografia paraguaia com “Amor Basura”(11’) de Juan Carlos Maneglia e Tana Schembori. Depois do Curta Latino, na MCC, vem “Alphaville 2007 d.C”(16’) de Paulinho Caruso. Na sinopse: “Em meio a uma dissimulada guerra civil, um cowboy e um executivo acertam as contas do apartheid social brasileiro. Tendo como ponto de partida um sequestro, o panorama da violência urbana é traçado com muito bom humor, em uma espécie de ficção científica sobre o terceiro mundo”. O curta ganhou nada mais nada menos que o Kikito de melhor curta-metragem 35mm da 35ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Um atestado de qualidade pouco questionável. Para fechar a noite outro concorrente na MCL, o longa “Rita Cadilac, a Lady do Povo” de Toni Venturi (2007;75’). No filme documentário o desfile da lady, com os momentos mais importantes da vida e da carreira, através de depoimentos, imagens inéditas e material de arquivo. A rainha dos caminhoneiros, garimpeiros e madrinha dos presidiários é resgatada através de um rico material de arquivo desde os anos de dançarina em "O Cassino do Chacrinha" até os filmes pornográficos atuais. O filme contrapõe o lado midiático do símbolo sexual brasileiro ao outro lado, caseiro e cotidiano, numa reflexão sobre a linha que separa o personagem e a pessoa, a celebridade e a mulher falível e humana, que pensa em se aposentar.

Edição EDIÇÃO 16967




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