ILUSTRADO
Terça-feira, 27 de Maio de 2008, 20h:53
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CINEMA
Sessões de montão
Longas, curtas e vídeos pra tudo quanto é gosto. O escurinho do cinema brasileiro vai que vai numa das salas de exibição de Cuiabá
Segue o 15° Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá com algumas das melhores produções nacionais do cinema. Isso é uma constatação diária e, para aqueles que insistem em torcer o nariz para o cinema brasileiro, o Festival de Cannes lhes deu o recado, com duas premiações para o nosso cinema: o prêmio Novo Olhar para o curta Muro, do pernambucano Tião, e Melhor Atriz para Sandra Corveloni, por sua participação no Linha de Passe. Os realizadores brasileiros, na verdade, têm nos feito pensar o Brasil e o mundo além de instigar a nossa imaginação e experimentar linguagens técnicas e estéticas inovadoras. Hoje, além das programações paralelas, mostras nos bairros, nas escolas, no hospital Julio Muller e debate no hotel Paiaguás, serão apresentadas as rotineiras duas sessões noturnas: uma às 18 horas e uma às 21 horas. A primeira sessão está programada para iniciar com a MCCO, ou seja, a Mostra Curta do Centro Oeste, que não faz parte das exibições competitivas. São três os curtas que podem ser apreciados: Caramujo Flor de Joel Pizzini(1988;21); Dois Tons de Caetano Gottardi(2005;16) e Paralelos de Ale Basso(2007;15). Joel está na competitiva com o primoroso trabalho Anabazys, e este filme também tem a sua marca de qualidade. O curta é um itinerário da poesia de Manoel de Barros, através de uma colagem de fragmentos sonoros e visuais. O filme, entre outros prêmios, recebeu melhor direção e melhor fotografia no festival de Brasília de 88. No elenco Ney Matogrosso, Rubens Corrêa, Tetê Espínola, Aracy Balabanian e Almir Sater. O Dois Tons do Gottardi também é premiado; Menção Honrosa no Festival Internacional de Curtas de São Paulo 2005 e Melhor direção no Goiânia Mostra Curtas 2005. Com uma bela fotografia, mostra um garoto que mora numa região rural vivendo algumas descobertas, como o amor e a música. E nesta MCCO, não faltam prêmios, o Paralelos, de Basso, também foi agraciado com troféu (Festival do Ceará) Direção e Som, no ano passado. Aliás, o som direto é do grande Chico Bororo, pelo menos 25 filmes no Porta Curtas e uma história comprometida com o audiovisual brasileiro. O filme conta a angústia de Pedro que com o fim do trem de passageiros no interior do pantanal. A competição começa com Cocais, a cidade reinventada(SP;15) que está na MCC. Cocais é um curta documentário poético, de Inês Cardoso, realizado junto com pacientes e funcionários de uma cidade manicômio no interior de São Paulo. Esta é a história de uma cidade que se reinventou através de um filme, ou a história de um filme que foi inventado por uma cidade. Na seqüência O Grão(2007;88), de Petrus Cariry, que está na MCL(competitiva de Longa). Foi vencedor do Prêmio de Melhor Filme do Festival Internacional de Cinema de Viña del Mar em 2007. No filme, a velha Perpétua, sentindo a presença da morte, resolve preparar Zeca, o seu querido neto, para a separação que se aproxima, contando-lhe a história de um rei e uma rainha, muito ricos e poderosos, que perderam o único filho e que querem trazê-lo de volta à vida. A narrativa se passa no sertão, e a câmera mostra a aridez tão conhecida e tantas vezes retratada emoldurada por uma história de fábula. A segunda sessão principia-se com a MCVCM, competitiva de videoclipe mato-grossense com a Madruga(5) com os DJs Rafael Fellini & Cleiton Araújo e direção de Northon Bertoldi & Cleiton Araújo. Na MCV, competitiva de vídeo, um fenômeno do Youtube com quase 280 mil exibições e pouco mais de seiscentos comentários: Paradoxo da espera do ônibus(RJ;4) de Christian Caselli. Um vídeo em que nada acontece e os quadros se repetem insistentemente, segundo o próprio cineasta Caselli, que se disse espantado com tamanha popularidade em uma entrevista concedida no começo deste ano ao DC Ilustrado. Em seguida mais um vislumbre sobre a cinematografia paraguaia com Amor Basura(11) de Juan Carlos Maneglia e Tana Schembori. Depois do Curta Latino, na MCC, vem Alphaville 2007 d.C(16) de Paulinho Caruso. Na sinopse: Em meio a uma dissimulada guerra civil, um cowboy e um executivo acertam as contas do apartheid social brasileiro. Tendo como ponto de partida um sequestro, o panorama da violência urbana é traçado com muito bom humor, em uma espécie de ficção científica sobre o terceiro mundo. O curta ganhou nada mais nada menos que o Kikito de melhor curta-metragem 35mm da 35ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Um atestado de qualidade pouco questionável. Para fechar a noite outro concorrente na MCL, o longa Rita Cadilac, a Lady do Povo de Toni Venturi (2007;75). No filme documentário o desfile da lady, com os momentos mais importantes da vida e da carreira, através de depoimentos, imagens inéditas e material de arquivo. A rainha dos caminhoneiros, garimpeiros e madrinha dos presidiários é resgatada através de um rico material de arquivo desde os anos de dançarina em "O Cassino do Chacrinha" até os filmes pornográficos atuais. O filme contrapõe o lado midiático do símbolo sexual brasileiro ao outro lado, caseiro e cotidiano, numa reflexão sobre a linha que separa o personagem e a pessoa, a celebridade e a mulher falível e humana, que pensa em se aposentar.