ILUSTRADO
Quinta-feira, 02 de Setembro de 2010, 19h:37
A
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CINEMA
Sem muita expectativa
Apesar de ter três filmes estreando as produções não empolgaram os críticos. Entretanto nada como esperar pouco para ser surpreendido, pois o contrário, decepção
Claudio de Oliveira
Da Redação
Ver três filmes estrear no cinema dá uma esperança renovada que teremos mais diversão. Contudo a julgar pelas críticas a diversão não está garantida para os mais exigentes. Entre as estreias estão Nosso Lar, Como Cães e Gatos e Par Perfeito, que mostra a criatividade brasileira em nomes de filmes (o original chama Five Killers). O primeiro, Nosso Lar, é uma adaptação da obra de Chico Xavier dando continuidade aos lançamentos cinematográficos que abordam a vida e a obra do famoso médium brasileiro no ano de seu centenário. Nosso Lar utiliza a experiência espiritual do médico André Luiz para mostrar, de forma bem detalhada, parte da estrutura espírita e toda sua complexidade dentro de planos em que situam-se. Além de mostrar visualmente a estrutura do Lar dos espíritos, o filme explica também como funciona o tempo, como os sentimentos são julgados, enfatiza os outros planos existentes, mostra como é a evolução, fala da reencarnação e até como eles conseguem o contato com a Terra. O problema é a previsibilidade. O roteiro para os críticos que o viram deixa a desejar. Tecnicamente o filme é bom. Trilha sonora, fotografia, efeitos especiais que em parte foram realizados no Canadá mas que conferem ao filme brasileiro uma qualidade extra. O critico Marcos Vinicius (cinemacomrapadura.com) até elogia o diretor e roteirista Wagner de Assis com relação ao trabalho de direção ângulos inteligentes, sequências bem trabalhadas e um clima propício para a temática. (...) Já o seu roteiro é bem fraco e repleto de diálogos vazios. Como lembra Thiago Siqueira, escrito e dirigido por Wagner de Assis (do fraco A Cartomante e um dos roteiristas do inominável Xuxa e os Duendes), a fita tem a complicada tarefa de, ao mesmo tempo em que apresenta o espectador ao complexo mundo além-vida, contar uma narrativa coerente, que tem como protagonista o recém-falecido André Luiz (Renato Prieto). No filme, ao despertar no Mundo Espiritual, André Luiz se depara com criaturas assustadoras e sombrias vivendo, juntamente com ele, neste lugar escuro e sombrio. Além disso, ele também se assusta por perceber que apesar de ter "morrido" ele ainda continua vivo e ainda sente fome, sede, frio e outras sensações materiais. Nesta cena, que poderia deixar muitas perguntas uma narração em off esclarece tudo, coisa que acontece sucessivamente segundo Siqueira, o que contribui para diminuir o impacto da obra. Após um longo período de sofrimento ele é recolhido dessa zona de sofrimento e purgação de falhas do passado por espíritos do bem e é levado para a Colônia Espiritual Nosso Lar, de onde surge o nome do filme. A partir desse momento ele começa a conhecer melhor a vida no além túmulo e a aprender lições e adquirir conhecimentos que mudarão completamente o seu modo de enxergar a vida. No elenco estão nomes como: Paulo Goulart, que surge relaxado e tranqüilo na figura de um dos espíritos mais elevados de Nosso Lar; Rosane Muholland aproveita bem o seu tempo em cena e o temperamento arredio de sua personagem e Othon Bastos, em rápida participação, impõe o respeito e a serenidade que o governador de uma cidade como Nosso Lar exige. Como Cães e Gatos 2 A Vingança de Kitty Galore é apenas diversão infantil, desligar o senso crítico e rir com o seu filho vendo Kitty Galore (uma gata), ex-colaboradora da organização MEOWS de espiões felinos, que está cada vez mais pirada e bolou um plano maligno para, além de derrotar de vez seus inimigos caninos, também derrubar seus ex-companheiros de espionagem e transformar o mundo em seu arranhador de estimação. Diante dessa ameaça sem precedentes, cães e gatos serão obrigados a unir forças pela primeira vez na história em uma aliança que poderá salvar suas vidas e as de seus humanos. A produção é da Warner Bros. a direção de Brad Peyton e o roteiro de Steve Bencich e Ron J. Friedman. Par perfeito é uma mistura não muito bem resolvida entre ação e comédia. Lembra excessivamente Encontro Explosivo, só que sem a Cameron Dias e o Tom Cruise. O par perfeito é formado por Jen (Katherine Heigl) e Spencer (Ashton Kutcher). Ambos se encontram em Nice, paraíso francês. Ele é bonitão, educado e inteligente. Mas o que Jen não sabe, é que Spencer ganha a vida como matador de aluguel, contratado pelo governo. Eles vivem o casamento dos sonhos até que em uma bela manhã, o casal descobre que Spencer é o alvo de um golpe milionário. O que parecia ser um Par Perfeito transforma-se num jogo de vida ou morte, enquanto eles tentam lidar com sogros, sogras, casamento, manter as aparências e ainda sobreviver. A direção é de Robert Luketic e o roteiro de Bob DeRosa e Ted Griffin. A censura é para maiores de 14 anos. O crítico Darlamo Didimo dá um veredicto pouco atraente: tecnicamente, Par Perfeito também não impressiona. Pouco requisitando efeitos especiais (e quando o faz é extremamente infeliz), o diretor Robert Luketic (responsável por Legalmente Loira e A Verdade Nua e Crua) até que busca boas locações ao filmar em Nice, mas desempolga em termos visuais quando a trama ganha solos americanos. A trilha sonora de Rolfe Kent até consegue captar o clima de brincadeira do longa, mas passa longe de criar algo marcante. Com um desfecho vergonhoso, mas que faz jus a total falta de compromisso do filme consigo mesmo e com os espectadores, Par Perfeito pode até proporcionar algumas risadas, mas nada além. É mais um exemplar sem criatividade dono de um roteiro cheio de falhas e perdido em meio a intenção de trazer humor e ação ao mesmo tempo.