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ILUSTRADO
Quarta-feira, 16 de Outubro de 2002, 21h:21

CINEMA NACIONAL

Seis filmes brasileiros tentam indicação ao Oscar

Os brasileiros vão saber, no próximo dia 25, qual filme brasileiro deverá concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em março de 2003. Disputam a vaga os longas “Cidade de Deus", de Fernando Meirelles; “Caramuru”, de Guel Arraes; “A Paixão de Jacobina”, de Fábio Barreto; “O Invasor”, de Beto Brant; “Timor Lorosae”, de Lucélia Santos; e “Uma Vida em Segredo”, de Suzana Amaral. A comissão que escolherá o vencedor brasileiro é formada pelos cineastas Guilherme de Almeida Prado e Walter Lima Jr., pelos produtores Esdras Rubim e Zita Carvalhosa e pela jornalista Maria do Rosário Caetano. Depois que a produção brasileira for escolhida entre estas seis produções, o filme vencedor será remetido à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Holywwod. Em Los Angeles, ficará em cartaz juntamente com cerca de 100 outros filmes estrangeiros. Os cinco mais bem votados deste montante é que vão concorrer na categoria Melhor Filme Estrangeiro. “Central do Brasil”, com Fernanda Montenegro, foi o última produção brasileira que chegou perto da estatueta mais cobiçada pelo mundo da sétima arte. O filme nacional, no entanto, perdeu para o italiano “A Vida é Bela”, em 2000. Dentre as seis produções brasileiras que concorrem para 2003, “Cidade de Deus” é certamente o que está tendo melhor aceitação do público. Em Cuiabá, no Cinemais do Shopping Três Américas, a produção ficou um mês em cartaz, com sessões concorridas, e só saiu do circuito ontem. O filme é baseado no romance de mesmo nome de Paulo Lins, por sua vez baseado em fatos reais, e que retrata o crescimento do crime organizado neste bairro no subúrbio do Rio de Janeiro entre os anos 60 e o início dos anos 80. Para compor o elenco de aproximadamente 110 garotos, o diretor Fernando Meirelles e a co-diretora Katia Lund criaram uma oficina de interpretação e trabalharam com atores não profissionais de diversas comunidades do Rio durante oito meses antes do início das filmagens. O elenco vive no filme uma realidade que lhes é muito próxima, fazendo com que a verdade de sua atuação por vezes, nos remeta a um documentário. Essa verdade é o que o filme traz de mais revelador. As filmagens foram realizadas em nove semanas entre os meses de junho e agosto de 2001. A produção teve um custo de U$ 3,3 mil, financiada 85% pela produtora O2 Filmes e o restante através da lei do audiovisual. Saiba mais sobre os outros filmes que também concorrem: JACOBINA – O filme conta a história da cidade de São Leopoldo, na província do Rio Grande do Sul, em 1871, uma colônia de imigrantes alemães que luta pela sobrevivência numa região marcada pelos efeitos da Guerra do Paraguai. Neste cenário surge Jacobina Mentz (Letícia Spiller), que se transformará em líder de uma seita dissidente do protestantismo conhecida como Os Mucker ou “falsos santos”. Desde criança, Jacobina sofre desmaios e mergulha em sonos profundos. Levada pela mãe (Thereza Mascarenhas), Jacobina consulta o curandeiro João Maurer (Alexandre Paternost), que se apaixona pela jovem e lhe pede em casamento. Após o nascimento da filha Catarina, Jacobina tem visões e recebe mensagens que acredita serem de Jesus Cristo. Quando passa a cuidar de pobres e desvalidos, realiza seu primeiro “milagre” salvando um soldado da Guerra do Paraguai, Robinson (Felipe Kannemberg), que se transforma em fiel e também violento defensor. A morte de um Mucker, no entanto, desencadeia uma onda de vingança dos dois lados até que Jacobina é levada ao juiz de província em São Leopoldo. No dia de Pentecostes, um meteoro cruza os céus e cai nas terras dos Mucker. Os conflitos locais entre os Mucker e os moradores da cidade se acirram até que o governo imperial seja chamado a intervir. O INVASOR - Grande sensação no Festival de Brasília - onde conquistou seis prêmios – “O Invasor”, terceiro longa-metragem do paulista Beto Brant, reúne um elenco estelar, encabeçado por Marco Ricca, Alexandre Borges, Malu Mader e Mariana Ximenes, revelando ainda o talento dramático supreeendente do músico Paulo Miklos (da banda Titãs). O filme narra a história de três amigos - companheiros desde os tempos de faculdade de engenharia - que são sócios em uma construtora há mais de 15 anos. Tudo corre bem até o dia em que um desentendimento na condução dos negócios os coloca em conflito. De um lado, Estevão, o sócio majoritário, que ameaça desfazer a sociedade; de outro, Ivan e Gilberto, que, acuados, resolvem eliminar o sócio, acreditando que poderão conduzir a construtora ao seu estilo após a morte de uma nova fase para Ivan e Gilberto e também de um pesadelo inesperado: Anísio tem planos de ascensão social e pouco a pouco invade a vida dos dois amigos, confrontando-os com o processo de violência que desencadearam. SEGREDO – “Uma Vida em Segredo” fala de Biela, uma moça primitiva, rural, herdeira de muitas terras. Depois da morte dos pais, ela se muda do campo para morar na cidade com o primo e o tutor. A trama se constrói a partir do momento que Biela vê seu modo de vida simples e despojado entrar em conflito com hábitos burgueses impostos pela nova família. De concessão em concessão, Biela vai sufocando sua personalidade, adulterando adulterando seu modo de ser, deixando-se morrer lentamente. Até que ressurge sua verdade e não concede mais. Biela não é uma personagem plana na sua simplicidade percorre um caminho de sucessivas escolhas, com grande densidade interior. Vale ressaltar a direção precisa de Suzana Amaral, o belo trabalho de fotografia de Lauro Escorei e a brilhante atuação de Sabrina Breve como protagonista. TIMOR LOROSAE – “O Massacre Que O Mundo Não Viu” retrata a história de Timor Leste, uma pequena ilha localizada entre a Austrália e a Indonésia que foi colonizada pelos portugueses. Desde 1974 quando começou a lutar por sua independência, foi invadida pela Indonésia (maior nação mulçumana do mundo) e teve quase um terço de sua população dizimada. Quando em 1999 o povo maubere pode finalmente escolher democraticamente entre a independência ou a integração à Indonésia, o país foi barbaramente queimado como marca de despedida. Lucélia Santos chegou com sua equipe ao país um ano após esse trágico acontecimento e registrou com seu olhar sensível a situação do povo maubere. Sua vida, suas crenças, sua luta, sua esperança, sua tragédia.

Edição edição 16957




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